Arquivos | dezembro, 2010

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 MELHORES FILMES DE 2010

28 dez

Dando fim às comemorações de fim de ano: encerro o especial com os melhores filmes 2010!!! Tendo em vista os que assisti durante o ano. Ressaltando que estes são os filmes que vi e considero os melhores!

 

1.A Origem de Christopher Nolan

A Origem é um dos filmes que estão concorrendo ao Globo de Ouro. Não é o favorito, mas acredito que seja um importante concorrente. Já o citei centenas de vezes no blog.  Abstraindo o 3D, Nolan criou uma trama enigmática tendo como tema  os sonhos.  Leonardo DiCaprio é um ladrão de informações, que penetra nos sonhos alheios; é contratado para um trabalho diferente: implantar uma idéia na mente de um terceiro. Quem o contrata é Ken Watanabe, em sua segunda parceria com Nolan; quem  tem a idéia implantada é Cillian Murphy, em sua terceira parceria com o diretor. Completando o mega elenco: Marion Cottillard (como a sombra de DiCaprio),  é a esposa traída; Michael Caine (em sua quarta parceria com Nolan) o mestre inglês da interpretação em uma participação especial; Joseph Gordon Lewitt, que surpreendeu com uma atuação concisa e fechando: Ellen Page, a Juno.

Curiosidade: a trilha sonora – do ganhador do Oscar Hans Zimmer – foi feita juntamente com Nolan durante caminhadas na praia. Zimmer acompanhou a produção do filme e retirou duas notas da música Non Je ne regrette rien de Edith Piaf, para criar a trilha.

 

2. A Rede Social de David Fincher

O longa de David Fincher é uma das promessas do Globo de Ouro, perdendo em indicações para O Discurso do Rei (que ainda não estreou no Brasil). O filme conta a história da fundação do Facebook, a rede social que mais cresce mundialmente. A Rede Social mostra as motivações e a genialidade de seu cofundador,  ele teve a idéia de criar a rede após levar o pé na bunda da namorada. Hoje em dia, o facebook contém milhares de usuários e muitos destes o têm como estilo de vida. A narrativa do filme intercala dois dos principais processos que Mark (o principal fundador) enfrentou,  tais processos revelam o caráter dele.

Atenção: na trilha sonora criada pelo vocalista do Nine Inch Nails. Em um dos teasers do filme, há um coral feminino cantando Freak do Radiohead, esta música não poderia vender melhor o filme.

 

3. Machete de Robert Rodriguez


Quando lançou Planeta Terror – filme que faz parte do projeto Grindhouse, produção realizada em colaboração com Quentin TarantinoRodriguez criou um trailler fake para abrir as sessões do filme. O trailler fez mais sucesso que o filme; fãs e Danny Trejo não só gostaram da brincadeira como a levaram a sério e pediram ao diretor pra concretizar o filme. Anos depois ele finalmente lança MACHETE; que tem como protagonista seu primo, o ator Danny Trejo, um ícone mexicano dos filmes b. No elenco, outros ícones e descendentes latinos: Jessica Alba, Michelle Rodriguez e Cheech. Além de Steven Seagal (em seu primeiro vilão), Lindsay Lohan e Robert DeNiro.  Na trama, um mexicano ‘bronco’ é usado como bode expiatório em uma conspiração para levantar a popularidade de um candidato ao senado (DeNiro). Mas como o trailler diz: “Eles não sabiam que tinham f*dido com o xicano errado”. E aí a coisa toda acontece.

Curiosidade: Ao que tudo indica, os teasers do final do filme; anunciando as continuações são verdadeiros. Rodriguez prepara os roteiros para Machete Mata e Machete Mata de Novo.

 

 

4. Alice no País das Maravilhas de Tim Burton

Alice foi um dos filmes mais aguardados do ano, para os fãs de Lewis Carroll ele decepcionou; mas para os fãs de Tim Burton foi uma das principais estréias do ano. Explicando a primeira afirmativa: Tim criou sua Alice, a história acontece anos após o evento narrado no original de Lewis Carroll e mostra a jovem já em sua adolescência em um noivado não esperado. Ela então cai no buraco (novamente) e está predestinada a combater a Rainha Vermelha e seu império. Na Alice de Burton – mesclando Alice no país das maravilhas e sua continuação Alice através do espelho – é isto que acontece.  Mas a grande expectativa foi a tecnologia 3D, pois como todos sabem, esta história é uma viagem e tanto; além da tecnologia a direção de arte e a participação de Johnny Depp como Chapeleiro Maluco, também foram os requisitos que fizeram de Alice uma das grandes apostas do ano.

 

Atenção: Mesmo sendo em 3D , muitos espectadores saíram desapontados com seu uso no filme, mas na cena em que Alice cai no buraco, temos uma bela cena em 3D.  Sem contar Helena Boham Carter como a Rainha Vermelha, está magnífica.

 

5.Scott Pilgrim vs  the world de Edgar Wright

Juntamente com Kick Ass, Scott Pilgrim representa a cara das novas HQs. Com uma linguagem mais jovem e moderna, estas duas tiveram boa receptividade do público. Scott Pilgrim, infelizmente, por pouco não estreia nos cinemas cariocas. Em sua data de estreia, as salas do Rio estavam lotadas por conta de Tropa 2. Mas a distribuidora deu seu jeitinho brasileiro e trouxe o filme pros cariocas também. Mas por que o filme merece estar nesta lista? Mil motivos: 1. A estética é baseada em elementos dos quadrinhos e games, 2. Michael Cera está quebrando tudo como personagem título, 3.Trama absurda mas que dialoga com os jovens., 4. Kieran Culkin mostra todo seu talento e por aí vai… Na trama, Scott se apaixona por Ramona Flowers, mas para ficar com ela tem que vencer seus 7 ex namorados do mal.

Atenção: Nos cortes e diálogos inteligentes. E a cada  ex namorado vencido, ele ganha pontos e moedas.

 

**Menção honrosa:

 

*O Pequeno Nicolau de Laurent Tirard

Filme infantil que deu  o que falar nos cinemas, conquistou o famoso boca a boca e ainda permaneceu meses em cartaz. O longa mostra as peripécias de Nicolau  e sua trupe de amiguinhos; estes também têm suas especificidades: o burro da classe, o comilão, o nerd, o rico, o espertinho e o bagunceiro. Nicolau pensa que sua mãe está grávida e quer dar o fim no ‘irmão’ antes dele nascer. A trupe trama vários planos para dar fim no suposto irmão. Ótima comédia para a família.

Curiosidade: Nicolau se assemelha ao nosso Menino Maluquinho, só que com sotaque francês. Assim como ele,O  Pequeno Nicolau  também é uma adaptação de um livro infantil.

 

*Tudo Pode dar Certo de Woody Allen

Com certeza Woody Allen fez sua melhor estreia no ano com Tudo Pode Dar Certo. O filme traz o velho e bom Woody em sua Nova York. Conta a história de Boris, um velho reclamão, pessimista que dá aulas de xadrez para crianças, mas não as suporta. Um belo dia, encontra Melody (Evan Rachel Wood) em sua porta, que lhe pede abrigo e acaba ficando. Mais uma vez, Woody não estrela e deixa o seu alter ego pra Larry David (Seinfeild). Mas quem rouba a cena mesmo é Patricia Clarkson e sua descoberta sexual. Roteiro inteligente+direção afiada+elenco talentoso= a um grande filme. Tudo começa com o roteiro.

Curiosidade: O roteiro foi escrito há uns 20 anos por Woody , mas ele o guardou na gaveta. EM 2009 ele decidiu que era a hora de colocá-lo pra fora e só o faria com Larry David –que deixou claro que faria Boris à La David, ele não repetiu os cacoetes de Woody-.

 

 

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Estes foram os melhores do ano!!!

Boas Festas!!!

Crítica – INCONTROLÁVEL de Tony Scott, com Denzel Washington

23 dez

“Incontrolável” é a mais nova parceria entre o diretor Tony Scott e o ator Denzel Washington. Parceria que iniciou em 95 com Maré Vermelha. Pra quem não sabe, Tony é conhecido como o irmão sem talento de Ridley Scott. Na realidade, ele tem talento sim; mas sua especialização são os filmes de ação. E seu último longa não foge à regra.

Para os espectadores que adoram ver o bom e velho Denzel, segurando armas, acabando com os bandidos, mascando o chiclete ou o palito de dente; este longa – assim como O Seqüestro do Metro 1 2 3 (também de Tony Scott) – não tem o bom e velho Denzel, apenas o velho. Ele interpreta um maquinista que está cumprindo seu aviso prévio e em mais um dia de trabalho, encontra um big problema pela frente: parar um trem em alta velocidade.

Voltando mais ou menos um ano atrás, Tony lançou o Sequestro do Metro 1 2 3; Denzel era um encarregado de uma estação de metrô e – como estava no lugar errado no dia errado -, virou o negociador da empresa com o seqüestrador (John Travolta) do vagão; após bancar o herói, Denzel consegue o perdão da cidade (estava sendo indiciado por suposto recebimento de propina). Em “Incontrolável” a história não muda, sai John Travolta e entra um trem desgovernado. E, novamente, Denzel está no lugar errado e no dia errado; sobra pra ele bancar o herói.

Deixando as semelhanças de lado e analisando o longa, este – o que poderia se dizer? – é mais um com a marca de Tony Scott. Mesmo com uma trama que os espectadores estão cansados de assistir, o velho Tony ainda tem a manha da coisa: ele é sim um expert nos filmes de ação (seu curri não engana, entre seus sucessos estão Chamas da Vingança, Top Gun e Jogo de Espiões). É um visionário se tratando de estética.

Neste último, a estética não fica pra trás, os enquadramentos e cortes da câmera fazem a diferença na narrativa e imprime a ação e emoção que o roteiro não tem. Por falar nele (o roteiro), recorre aos celébres clichês: como no exato dia da catástrofe, uma escola decide levar seus alunos para conhecerem uma linha férrea. Que tipo de escola faz este tipo de passeio? E só pra criar uma tensãozinha de que vai bater no trem em que os alunos estão passeando. Aos fãs do gênero,”Incontrolável” apresenta mais de Denzel, mais de Tony, mais de ação e mais um filme que daqui uns anos estará sendo exibido no mesmo horário que “Carro Desgovernado” um dia foi.

Ficha Técnica

CRÍTICA – 72 HORAS de Paul Haggis

22 dez

O novo filme do diretor Paul Haggis tem Russel Crowe e Elizabeth Banks no casting; “72 horas” inicia com a discussão entre dois casais sobre as desavenças de Lara (Banks) com sua chefe. Logo após, Lara é incriminada pela morte de sua superiora. Depois de presa, seu marido (Russel Crowe) tenta de todas as maneiras legais provar a inocência da esposa – que neste ponto já tinha se conformado com seu destino-. O interessante é que Haggis não cria o suspense se ela é ou não culpada. Todos os indícios e provas confirmam a natureza do crime, apenas o marido fiel acredita piamente na inocência da mulher.

Tal confiança na mulher e desgosto pela falta de justiça, o faz planejar a fuga da esposa. O longa mostra as 72 horas que ele tem para por o plano em ação, libertar a mulher e fugir com ela e o filho. O que Haggis nos desperta não é o drama da mulher encarcerada e sim no marido que sofre por estar longe dela e viver com filho solamente sem a amada. O que o motivou é perceber que ela nunca sairia da prisão por meios legais. E ele leva até as últimas conseqüências tal ato.

Primeiro, ele recorre a um ex-detento que já fugiu mais de 7 vezes, para lhe ensinar os truques . Depois de aprendida a lição ele vai para a ação. Russel dá a vida ao tal marido fiel e apaixonado, capaz das maiores loucuras para libertar seu amor. Pensando por este ponto de vista, é até uma história romântica, ele acredita na inocência da mulher até quando ela mesma diz-se culpada. As ações de Crowe foram bem desenvolvidas no roteiro e na direção; sem tirar os créditos do ator.

Lá pelas tantas do filme, vemos algumas seqüências que nos lembram de quem é o filme. Este é uma adaptação do francês Pour Elle (Por ela), este nome original, mais exemplifica o filme: o homem é um apaixonado que faz tudo pela amada. 72 horas não é um suspense, como eu já vi sendo classificado, é um drama com algumas pitadas de ação; e um daqueles filmes que surpreende com a história e na forma em que ela é contada.

Ficha Técnica

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ESTREIAS NACIONAIS DE 2010

20 dez

Como todos sabem, o cinema nacional está crescendo absurdamente, e as produções não ficam pra trás de qualquer blockbuster americano. Na lista, estão os mais variados gêneros representados pelas principais estréias e melhores filmes do ano (dos que eu vi)!

 

1. Tropa de Elite 2

Tropa 2 veio após o estrondoso sucesso de seu antecessor, mesmo tendo sido um sucesso entre os espectadores, sua bilheteria não foi a das melhores, pois uma cópia vazou nos camelôs meses antes da estreia do filme. Para não repetir o erro de Tropa 1, desta vez a produção foi muito cuidadosa, criptografando todas as cópias de Tropa 2, e elas ainda tiveram seguranças; foi contratado o responsável pela maior bilheteria do cinema nacional para traçar as estratégias de distribuição e divulgação. E o resultado? A maior bilheteria do cinema nacional!!! Mas isso não se deve apenas às estratégias, e sim pela qualidade e crítica presente no filme. O conteúdo se adéqua perfeitamente aos dias atuais, tendo sido adiada sua estreia por conta das eleições. Com certeza, se tivesse estreado antes os resultados seriam diferentes. Neste filme, assim como o anterior, a crítica se faz presente. Mas ao contrário do antecessor, este foi escrito tendo como foco o Capitão Nascimento (Wagner Moura), em que ele é agora Secretário de Segurança. O talento da equipe, dos atores (em especial Moura) , o roteiro e , principalmente, o espelho à situação política das comunidades, contribuíram para este sucesso.

 

2. Eu e meu guarda-chuva

O cinema nacional vem crescendo de forma absurda, e um dos gêneros que têm se desenvolvido de forma qualitativa é o cinema infanto-juvenil. Eu e meu guarda-chuva é prova disto. Adaptação de livro homônimo do titã Branco Mello e Hugo Possolo, conta a história de Eugênio e seus amigos em uma aventura em sua nova escola. Acontece que eles irão iniciar as aulas em uma nova escola, onde tem um fantasma de um antigo e aterrorizante professor (Daniel Dantas). Partem pra aventura pra conhecer o campo inimigo. A trilha não poderia ser de outra pessoa que não o próprio Branco. Atenção na direção de arte e no ator Daniel Dantas, que está fantástico. O filme conta ainda com participações de Paola de Oliveira, Camila Amado, Mariana Lima e Arnaldo Antunes.

 

3. Reflexões de um liquidificador

 

O roteiro marca a estreia do dramaturgo José Antonio de Souza nos cinemas. Tanto ele quanto o diretor são profissionais especializados no grande escritor Machado de Assis, e ele influencia por demais esta obra de humor negro. No longa, Elvira conversa com seu liquidificador que é dublado por Selton Mello. Com a licença poética em dia, o filme abusa do absurdo com humor e um final interessante. Mesmo não sendo uma über produção ele faz jus ao seu lugar em top e listas.

 

4. O Bem Amado

Outra grande estreia, adaptação da obra de Dias Gomes. Depois de estrear na Tv com Paulo Gracindo, no teatro com direção de Enrique Diaz; a obra aporta nos cinemas com Marco Nanini no papel título. A peça não poderia ter sido melhor produzida: Paula Lavigne e direção de Guel Arraes. No elenco, a grande nata artística como Zezé Polessa e Andrea Beltrão. Sem contar Matheus Nac htergaele e Bruno Garcia. A história é uma crítica à situação política e mostra que mesmo tendo sido escrita na década de 60 o texto continua atual. A história do político corrupto e suas artimanhas para inaugurar um cemitério monumental na cidade de Sucupira. O roteiro é divertidíssimo.

 

5. Histórias de Amor duram Apenas 90 minutos

Dirigido e roteirizado por Paulo Halm, com o casal Caio Blat e Maria Ribeiro no elenco. Paulo esteve presente nas principais estréias do ano; entre elas Olhos Azuis de José Joffily. Seus roteiros e contribuições fazem sucesso e Histórias de Amor não fica pra trás. Mostrando a história de uma dúvida que é levada às últimas conseqüências. Caio vive um escritor que acredita que sua esposa mantém um caso com sua melhor amiga. E esta dúvida move as ações do personagem. O filme é intrigante e surpreendente.

 

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É isso aí.

Espero que tenham gostado, e aguardem o especialíssimo: 5 filmes do ano!!!!

Crítica – Amor por Contrato

18 dez

A tradução do título original de The Joneses mais se adéqua a comédias românticas. Mas este se trata de um drama, que , em particular trata de um assunto que dá muito pano pra manga: o consumismo. Ele está além de nosso controle, ainda mais quando a vendedora é Demi Moore e seus longos cabelos negros.

O “amor” do título vem de brinde, só pra adocicar a trama. O filme mostra uma “família” de vendedores, mas não são aqueles chatos que insistem para que os clientes consumam seus produtos. Estes vendedores possuem uma estratégia mais inteligente e são chamam seu trabalho de “marketing invisível”; eles se passam por uma happy family, se instalam em uma cidade e ganham a confiança de seus vizinhos. Com isso, esbanjam seus “brinquedos” e posses, tudo no alto estilo. Yves Saint-Laurent é pouco para eles. O objetivo é vender os produtos, mas indiretamente. Eles induzem seus vizinhos a comprarem através de seu estilo de vida, passando a imagem de uma família feliz.

David Duchovny (ex Arquivo X) é o novato e Demi Moore a chefe da “família”. Com Steve (David) ainda aprendendo as artimanhas da venda e persuasão, a chefe o mantém com a postura de trabalho full time a fim de conseguir o máximo de vendas. Mas quando os problemas se instauram, eles se mostram uma verdadeira família, com espírito zelador entre eles. É aí que o argumentista instalou o ‘amor’ da história, que poderia ter sido esquecido.

A crítica à sociedade de consumo e ao status que muitas pessoas querem ter sem condições de manter é por si só interessante; em especial os homens e os carros. No longa, a situação é levada ao extremo, em que um homem para não ficar pra trás, chega à falência e posteriormente seu suicídio. O pior que o consumismo é como ele pode iludir as pessoas de que o ter vai melhorar o modo como outros o vêem e a possibilidade de emergir seu status na sociedade, levando as pessoas às últimas conseqüências.

Amor por contrato não é uma comédia romântica, mesmo que pareça e tem pouco romance. O drama é o seu forte.

Ficha Técnica

Crítica – De pernas pro Ar

16 dez

A nova comédia brasileira aposta no humor de Ingrid Guimarães. “De pernas pro ar” conta a história de Alice uma mulher casada e com filho, mas workaholic. O seu vício pelo trabalho acaba destruindo seu casamento (o marido é Bruno Garcia). É quando ela conhece o Rabbit, famoso vibrador capaz de dar a muitas mulheres o que elas nunca tiveram: o orgasmo; e ela o tem com ele. Após sua relação com o Rabbit, ela vira sócia de uma sex shop com a vizinha (Maria Paula). Alice no início da trama trabalha no setor de marketing de uma empresa de brinquedos infantis, dá uma reviravolta e passa a trabalhar com brinquedos adultos. Analogismos à parte.

O roteiro visita alguns lugares já vistos pelos espectadores anteriormente, como a relação da personagem com o vibrador (o rabbit teve um episódio dedicado a ele no seriado Sex and The City), o final moralista (O Diabo Veste Prada) e algumas piadas velhas (A verdade Nua e Crua). Mas o filme funciona? Algumas situações funcionam, os atores funcionam e a direção de arte funciona. Mas o roteiro nem tanto.

A grande maioria das piadas dá certo pelo talento do elenco (em especial Ingrid, que tem o timming perfeito), se não fosse por eles, o filme seria uma grande alegoria de piadas antigas com situações absurdas. Mas, mais uma vez, o grande barato do filme é ver Ingrid Guimarães. Atenção na cena da boate, é ali que ela salva o filme. Como entretenimento, De Pernas Pro Ar garante muitas risadas.

Estreia 31 de dezembro.

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ATRIZES DE 2010

12 dez

 

Dando continuidade às listas dos melhores do ano, este post é dedicado às atrizes que brilharam em 2010 (reforçando que tem mais 876 atrizes maravilhosas, estas são apenas um demonstrativo).

1. Patricia Clarckson

Uma das mais notáveis atrizes norte americana. Tem o poder de camaleoa em seus filmes. A prova está nos seus principais lançamentos no Brasil no ano de 2010. Este ano ela estrelou um Scorsese e um Woody Allen, mostrando todo seu potencial e versatilidade em papéis distintos e interessantes. Tudo pode dar certo é o segundo trabalho que Patricia realiza junto com o diretor Woody Allen. O primeiro foi Vicky Cristina Barcelona.

Tudo pode dar certo de Woody Allen, demorou, mas chegou na tela tupiniquim. O roteiro foi escrito por Allen há um tempo e ele guardou na gaveta, anos depois viu que era a hora do longa ser rodado. Allen volta à sua querida Nova Iorque e volta com a quebra da quarta parede, em que o protagonista conversa com os espectadores; que o consagrou com Annie Hall. Assim como seus últimos longas, Allen não protagoniza. Larry David é seu alter ego. Patricia interpreta a mãe de Melodie (Evan Rachel Wood), que se descobre após seu divórcio e não aceita o relacionamento da filha com Boris (Larry David).

Ilha do Medo de Martin Scorsese. Neste suspense, já citado no post anterior, sua interpretação é brilhante. Mesmo que numa ponta.

 

2. Marion Cottillard

A vencedora do Oscar de Melhor Atriz, foi outra arrebatadora de bilheterias este ano. Marion esteve presente em  duas das principais estréias do ano: NINE e A Origem. O primeiro é um musical, em que ela interpreta Luisa Contini – esposa de Guido (Daniel Day Lewis) e no segundo ela também é a esposa , mas agora é a do mal; sua personagem inferniza os planos do marido (Leonardo DiCaprio). Além destes sucessos, ela rodou um filme com Woody Allen, sendo sua nova musa em Midnight em Paris, longa que segue a linha de  Vicky Cristina Barcelona, ambientada em Paris  e terá no elenco Owen Wilson, Rachel McAddams e Adrien Brody.

NINE de Rob Marshall, já citado anteriormente, Cottilard teve inúmeras indicações; entre elas o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical e o Satellite Awards.  Sem contar a indicação de “Take it all” (música performada por Marion) no Oscar de Melhor Canção Original.

A Origem de Christopher Nolan, ela é o fantasma de DiCaprio, que aparece nos sonhos atrapalhando seus planos. Coube a ela imprimir um tom desequilibrado e auto-destrutivo da mulher enganada. E, é claro, que Marion o fez com maestria.

 

3. Annette Benning

Annette esteve presente em dois filmes este ano. O primeiro Destinos Ligados do diretor Rodrigo García, filho de Gabriel García Marquez, passou desapercebido pelos cinemas. E o segundo, causou frisson no Festival do Rio e está em cartaz sendo um sucesso do famoso ‘boca a boca’.

Destinos Ligados de Rodrigo García, trata da relação delicada de mães e filhas. Tendo como ponto em comum a adoção. A relação dessas mulheres é um tanto conflituosa, estando a todo tempo em embates. Annette interpreta um mulher, que, quando jovem deu sua filha (Naomi Watts) para adoção, mas se arrepende da escolha. Este ato a tornou uma mulher amargurada e infeliz. Sai em busca da filha, mas o destino tem outros planos para elas.

Minhas mães e meu pai, do original The Kids are All right. Narra a história de um jovem filho de um casal homossexual (Julianne Moore e Annette Benning) que sai em busca de seu pai biológico (Mark Ruffalo). O filme ainda tem a fofa Mia Wasikowska (de Alice do Tim Burton). Mais uma vez Annette brilha ao lado de um elenco estelar.

 

4. Meryl Streep

Meryl é o tipo de atriz que sempre merecerá indicações à prêmios e vagas em listas, mesmo que não tenha estrelado em nenhum filme novo. De fato, uma das melhores atrizes ever. Seja drama, ação ou comédia. Ela é o cara.  Com 3 Oscars na prateleira, 7 Globos de Ouro e um 1 Bafta. Inclusive, este ano ela competiu com ela mesma no Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz em Comédia ou Musical, por Julie e Julia e Simplesmente Complicado.  Sem contabilizar suas 65 indicações ao Oscar e demais premiações.

Simplesmente Complicado de Nancy Meyers (responsável por filmes como Alguém tem que Ceder e  Recruta Benjamin), comédia romântica em que Meryl tem um caso com seu ex-marido, que é o belo e fora de forma Alec Baldwin. Ao que tudo indica Baldwin se achou (finalmente) na comédia. Meryl – como sempre – mostra competência e talento.

 

5. Kristin Scott Thomas

A britânica tem em sua filmografia several indicações por sua performance em O Paciente Inglês, mas em O Garoto de LiverPool ela provou sua boa forma na arte como a tia rígida de John Lennon. Kristin é uma das mais notáveis atrizes, este ano ela só deu o ar da graça uma vez na telona, mas não passou em branco. Fez e aconteceu no filme.

O Garoto de Liverpool de Sam Taylor-Wood, é a cinebiografia de John Lennon na fase da adolescência. Mostrando sua delicada relação com tia e mãe. Kristin é a tia mandona que cria o sobrinho com rédea curta, até que chega a mãe e coloca um pouco de rock’n’roll na vida do filho. A atuação de Kristin foi uma das melhores do ano, ela provou que é possível conversar com os olhos apenas.

 

Menção honrosa:

Penélope Cruz

Confesso que comecei a curtir a atuação dela depois que a vi em Volver (filme que lhe rendeu muitos prêmios e indicações) de Pedro Almodóvar. Penélope é uma das centenas musas do diretor espanhol Pedro Almodóvar e tem estrelado seus últimos longas. Além  dele, ela coadjuvou um Woody Allen e ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona. Este ano, Penélope se fez presente em NINE como a amante fogosa de Guido e em uma participação em Sex and the City 2. Na realidade, sua participação foi desnecessária e nada acrescentou na trama do longa.  Em 2010 ela rodou Piratas do Caribe, em que fará uma mulher que abusará de Jack Sparrow, o filme é dirigido por Rob Marshall, o mesmo de NINE.

NINE de Rob Marshall, mais uma vez presente na lista, se não fossem tantos nomes acredito que indicaria o elenco inteiro. Penélope foi indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por este filme, mas perdeu para Mo’Nique. Uma curiosidade: quando a preparadora corporal mostrou à ela sua coreografia no filme, ela pediu a demissão na hora, pois achava que não era capaz de reproduzir os movimentos acrobáticos; mas felizmente insistiram e ela o realizou com competência.

 

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Estas foram umas das 76 atrizes que se destacaram no ano de 2010. Espero que tenham gostado.

Semana que vem:  5 diretores do ano!!!!

 

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ATORES DE 2010

9 dez

 

Em contagem regressiva pro fim do ano de 2010, semanalmente postarei listas com os melhores do ano. E para começar: os 5 atores que se destacaram neste 2010.

Lembrando pela milésima vez que não são apenas estes, mas sim uma seleção singela dos melhores atores dos filmes que assisti. Se tratando de um Top 5, sempre ficará faltando algum, então, caso ache que falte alguém não se acanhe em dizer nos comentários.

Segue os 5 atores que mais se destacaram em 2010 sob o meu olhar:

 

1. Leonardo DiCaprio

Ele já deixou bem claro que é muito mais que um rosto bonito. E depois de sua parceria com Scorsese é que a coisa ficou em evidência. Em 2010, entre os filmes de mais sucesso no cinema estava DiCaprio no meio.

“A Ilha do Medo” é um suspense scorsesiano com DiCaprio protagonizando. O thriller rendeu bons frutos com o público e ainda conta com Mark Ruffalo no elenco.

“A Origem” foi uma das maiores estreias do ano de 2010, e contou com DiCaprio também como protagonista. O longa vasculha a mente humana através dos sonhos, Leo é um ladrão de informações.

Por esses dois grandes sucessos com grandes atuações Leo encabeça essa lista de atores do ano!

2. Wagner Moura

Wagner é um dos grandes atores do cinema nacional, este ano ele vestiu a farda de Capitão Nascimento novamente em uma das maiores bilheterias do cinema nacional. Além de Tropa 2, ele também protagonizou o novo filme da O2 Filmes “VIPs” que tem estreia prevista para abril de 2011. No Festival do Rio ele compareceu à premiere do filme, e falou pouco sobre Tropa 2 – que foi um dos mais aguardados do ano-. Ele conseguiu construir a imagem do verdadeiro super herói brasileiro e ainda arrebatar a segunda parte do filme que foi grande sucesso por ter vazado nos camelôs.

“Tropa de Elite 2” – como o nome diz, o inimigo é outro. O longa coloca o Nascimento como protagonista e expõe o verdadeiro inimigo do BOPE. Ao contrário do filme anterior, este foi feito para o Moura e conta com a participação especial do Seu Jorge logo no início do longa.

“VIPs” é dirigido por Toniko Mello e produzido por Fernando Meirelles. Baseado em fatos reais, narra a história do cara que se fez passar por filho do dono da Gol e foi entrevistado por Amaury Junior em seu programa. Wagner interpreta o protagonista de seus 16 anos à idade adulta.

3. Daniel Day Lewis

 

 

Qualquer atuação dele vale um prêmio ou indicação em listas. Daniel é do tipo que não faz qualquer filme, ele mesmo diz que prefere ser sapateiro no interior da Itália a aceitar qualquer papel. Ele se resguardou na Itália há uns anos e desde então é difícil vê-lo em qualquer produção. Este ano, ele deu o ar da graça em NINE, musical dirigido por Rob Marshall (Chicago) e deixou bem claro que – mesmo sendo um musical – ele não dançaria, esta função caberia às suas companheiras de cena.  E ainda é gato!

“Nine”, o musical da Broadway,  ganhou nova roupagem cinematográfica. O filme é uma homenagem ao cineasta Federico Fellini, e mais parece uma adaptação de seu 8 1/2. Conta a história de um cineasta em péssima fase e recorre às mulheres de sua vida à procura de inspiração. O longa conta com Fergie, Sophia Loren, Kate Hudson, Marion Cottillard, Nicole Kidman, Judi Dench e Penélope Cruz.

 

4. Marco Nanini

Outro grande ator brasileiro, este ano ele estrelou dois longas nacionais, entre eles: O Bem Amado, dirigido por Guel Arraes. Marco havia estrelado o espetáculo baseado na obra homônima de Dias Gomes no teatro e o mesmo fez no cinema. Valendo uma das melhores comédias e melhores interpretações do ano. Seu segundo filme no ano (Suprema Felicidade de Arnaldo Jabor) não teve o mesmo sucesso e nem a mesma qualidade, mas sua atuação continua magnífica.

O Bem Amado, dirigido por Guel Arraes;  em tempos de eleição, o filme mostra o verdadeiro panorama da politicagem no Brasil, onde o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu desvia verba pública com a desculpa da construir um cemitério que não é inaugurado por falta de defuntos no local. As artimanhas e peripécias de Odorico pra conseguir tal defunto faz desta uma das comédias mais politizadas e inteligentes do cinema nacional.

 

5. Daniel Dantas

Este é um ator pouco lembrado se pensarmos na teledramaturgia. Mas no cinema Daniel é um expoente.  Este ano, dentre as estréias nacionais ele esteve impecável em 3 longas:  “Sonhos roubados” de Sandra Werneck, “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” de Paulo Halm e o infantil “Eu e meu guarda chuva”. Neste último, ele surpreende como um fantasma de um professor aterrorizante.

“Sonhos Roubados”, o filme conta a história de 3 amigas moradoras de comunidade que dividem suas experiências de vida, de uma maneira bem sutil. Daniel faz o tio que abusa da sobrinha, e brilha.

“Histórias de amor duram apenas 90 minutos” conta a história de um escritor que desconfia que sua esposa o trai com sua melhor amiga. Um roteiro inteligente e atores fantásticos. Além de Daniel como pai do protagonista, o longa conta com o casal Caio Blat e Maria Ribeiro.

“Eu e meu guarda chuva” baseado em obra homônima, é um filme infantil que encanta também os pais.  É uma aventura de três amigos em sua futura escola e o fantasma de um professor. A direção de arte é perfeita,  o longa nos remete a uma versão infantil de A Origem de Christopher Nolan.

 

Menção honrosa:

Danny Trejo

Danny é um ator latino que mais fez coadjuvações em filmes hollywoodianos, mas este ano ele protagonizou Machete, que vem a ser uma das grandes estréias. Além deste, ele também brilhou em Predadores, filme produzido pelo diretor Robert Rodriguez, o mesmo de Machete, que coincidentemente é primo de Trejo.

Nepotismo à parte, o cara é fera, e tem o timming da comédia e da ação.

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Esta foi minha lista dos atores, em breve a lista das atrizes…

Fiquem ligados e à vontade…

 

Crítica – “MEGAMENTE”

3 dez

As últimas animações infantis enveredam para a vilania, a figura do anti-herói está na moda. Depois de Shrek e Meu Malvado Favorito, estreia nos cinemas Megamente. Nesta animação, a figura do bad guy protagoniza uma série de acontecimentos que reafirma que ser bonzinho não está com nada. O longa inicia com a morte dele em que reflete em seus últimos minutos de vida sobre sua trajetória.

Em sua narrativa, os espectadores vêem a formação de um vilão. Ele não virou mal porque quis, mas porque a sociedade o fez ser assim. E isso acontece até os dias atuais, como dizia um grande pensador: “somos produtos do meio”, somos na realidade aquilo que vivemos e aprendemos. E foi o que aconteceu com Megamente. Ele queria ser querido pelos demais e tentou ser bonzinho. Mas o Metroman sempre esteve à sua frente. Aí é fornecido outro dado: os bonzinhos conseguem ser irritantes também. Cansado de derrotas e de pessoas boas, ele tem um grande plano, e consegue eliminar o herói da cidade. Imperando por algum tempo, ele entra em crise existencial e decide refletir sobre ser vilão. Percebe-se aí uma reflexão da parte dele, “o vilão precisa do herói para existir”. Então, tem a brilhante idéia de criar um. Esta é mais uma virada na trama. E as coisas pioram quando ele o faz.

Megamente apresenta uma trama com muitas camadas e reviravoltas, que o torna interessante e inteligente. Ele – assim como as demais animações do ano – aponta um amadurecimento dos filmes do gênero, mostra não apenas a luta pelo poder da vilania, mas também a crise existencial tanto do vilão quanto do mocinho. Há uma grande tendência nas animações em transformarem seus protagonistas em figuras mais reais e menos idealizadas. Isso quebra o distanciamento dos jovens espectadores e cria uma empatia de imediato com o personagem em questão.

O filme não se destina exclusivamente para crianças, muito pelo contrário, suas piadas são para o público adulto. E são hilariantes, tendo como referência o mundo pop. Frases, pessoas e situações; como por exemplo o Poderoso Chefão – Megamente, que se transforma em Pai, imita o Marlon Brando-, ou sua fantasia que se chama Mamba Negra – codinome da Noiva de Kill Bill – e até mesmo a célebre frase de Obama “Yes, you can.” se transformou em “No, you can’t” estampando um cartaz com a foto do vilão.

Além disso, a trilha sonora contém grandes referências pop, como “highway to Hell”, “welcome to the jungle” em uma batalha e “bad” do michael jackson. Seu romantismo é revelado com a música “loving You”. De todas as canções “Bad” é a que melhor define o estilo do filme. Para os que tiverem oportunidade de assistir legendado, terão Will Ferrel (Megamente), Brad Pitt (como o herói exibicionista MetroMan), Tina Fey (como a repórter metida a heroína Rosane Rocha) e Jonah Hill de Superbad e Cyrus ( como o Titã). Mas a versão dublada não fica pra trás, tem Thiago Lacerda como Metroman; e ele não decepciona.

A animação pode despertar uma reflexão sobre a sociedade e seus bandidos e mocinhos, assim como uma nova vertente nas animações infantis, que abusam do dramático para tentar se aproximar do público adulto.

Estreia sexta feira dia 03 de dezembro.
Ficha Técnica

Crítica – O Garoto de Liverpool

1 dez

“O Garoto de Liverpool” é a biografia de John Lennon, durante sua juventude e quando iniciou a banda que originaria os Beatles. Além disso, mostra a delicada relação de Lennon com sua mãe e a criação que lhe foi dada pela tia – interpretada por Kristin Scott Thomas-.

Aliás, antes de escrever sobre o filme, dedico este parágrafo à Kristin. Ela conseguiu imprimir a dificuldade da tia em revelar sua fragilidade e apreço pelo menino – tendo em vista que o sobrinho era o rebelde Lennon-. Kristin adicionou pausas e olhares, que transpõem à tela tudo que ela poderia ter dito, mas não o fez, apenas fitou.

Kristin é um dos pontos altos do filme, valendo indicações à prêmios. Mas os demais atores também não desapontam, apenas ficaram ofuscados pelo talento dela. Aaron Johnson (de Kick Ass) conseguiu mais um papel desafiador em uma boa produção, comprovando seu talento e versatilidade. Ele dá vida ao jovem Lennon, em seus anos de rebeldia.

O que acontece é que Lennon tem um reencontro com sua mãe, justo na fase mais difícil: a adolescência. Ele, que foi criado pelos tios, passa a viver suas dúvidas acerca de sua origem, ao mesmo tempo em que inicia a formação de uma banda de rock’n’roll (ele queria ser tão famoso quanto Elvis). O interessante é também ver os modismos da época, podendo traçar um paralelo entre o topete de Elvis e a franja de Justin Bieber (avaliar a qualidade, apenas modismo mesmo).

A tia tem o papel da mãe ‘linha dura’, enquanto a mãe, é super rock’n’rolll e ainda não saiu da adolescência. Essa delicada relação deles é o grande motim do filme. O jovem querendo entrar na vida da mãe ao mesmo tempo em que a repele por tê-lo abandonado quando criança, ela tentando entrar na vida dele – mas fazendo a linha amiguinha de bar e shows de rock- e a tia tentando colocar juízo na cabeça dos dois roqueiros e conquistar seu lugar na vida do sobrinho.

Tudo ia de mal a pior até que Paul entra na vida de Lennon. Um dos motivos pelos quais a dupla deu certo em seus anos áureos foi seu antagonismo: enquanto John era emoção e rebeldia, o jovem Paul era racional e empreendedor. Foi ele que incentivou John a escrever as músicas da banda e ele foi o ponto catalisador quando a mãe de Lennon morreu (já que sua mãe também havia morrido). Os dois eram como Ying e Yang. Mas sem sombra de dúvida, o jovem Paul tinha mais conhecimento e técnica do que John.

Para os beatlemaniacos que esperam ir ao cinema e escutar na trilha do filme os sucessos de Lennon, é bom ‘ tirar o cavalo da chuva’, o máximo que escutarão é o primeiro acorde de A Hard Days Night no início do filme e Mother nos créditos finais, esta última é uma belíssima canção que exemplifica toda a juventude dele. A história de Lennon não poderia ter sido melhor narrada.

Ficha Técnica

 

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