TODO MUNDO TEM PROBLEMAS SEXUAIS

2 mai

Domingos de Oliveira é um dos mais conceituados e queridos diretores cariocas. Sua lista de amigos tem os mais variados artistas, que já trabalharam com ele em diversas produções, sejam cinematográficas ou teatrais. Todo Mundo tem Problemas Sexuais é sua enésima peça a ganhar uma versão cinematográfica. Estrelada por Pedro Cardoso e pela esposa do diretor Priscila Rozembaum.

O filme se apodera da linguagem teatral para narrar histórias de diversos casais, envolvendo todos os tipos de casos (impotência, traição, swing, homossexualidade, etc). Inicia com a narrativa do próprio Domingos, explicando que aquilo nada mais é do que teatro. E seguida, pelos créditos com imagens do casting e equipe técnica se encontrando em pontos importantes da Cinelândia – local que foi o point dos artistas e um dia abrigou os principais cinemas da cidade, daí seu nome-. Passando por locais de extrema importância como a Biblioteca Nacional, Theatro Municipal, Amarelinho (ponto de encontro dos artistas do teatro carioca das décadas passadas) e finalizando no Teatro Dulcina (fechado há anos e com promessas de reabertura).

Narrado em 5 episódios de 5 cartas diversas, misturando cenas teatrais de apresentações do espetáculo (no antigo ATL Hall e no próprio Dulcina – o segundo especificamente para o filme) com as sequências rodadas para o cinema. A linguagem teatral não se excluiu, ficando perceptível com a edição que mescla as várias apresentações.

Com a desculpa de prestar uma referência ao teatro, Domingos editou de acordo com o timming do roteiro; nos momentos em que haviam piadas, ele insere cenas das apresentações, daí tem-se as risadas dos espectadores que influencia o público do filme a rirem também. Boa sacada! Nesses momentos, o longa assume uma posição de sitcom americano, forçando seus espectadores a rirem. Mas as piadas não são de todo mal, salvas pelo texto e pelo timming de Pedro Cardoso, que mesmo amparado por um elenco teatral muito consistente, brilha e assume o protagonismo do filme.

A qualidade da imagem do longa compromete sua exibição, ficando visível a pouca resolução na qual foi finalizada a produção; em especial a gravação da apresentação do ATL Hall, que tem um péssimo áudio e um vídeo muito escuro, comprometendo o entendimento das piadas e tornando a produção amadora. Todo mundo tem problemas sexuais mesmo com problemas técnicos, têm seus méritos, principalmente pela atuação de Pedro Cardoso – que salva o filme-.

 

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