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CRÍTICA: 127 HORAS

18 fev

Nesta semana, estreia mais um candidato ao Oscar de Melhor Filme. E como alguns de seus oponentes (A Rede Social e O Discurso do Rei), 127 Horas também é baseado em uma história real. Nela o alpinista Aron (James Franco), ao tentar se intrometer em um interior de uma montanha, prende seu braço em uma pedra, permanecendo 5 dias (ou 127 horas se preferir) no buraco, fincado na pedra, sem comida nem comunicação.

Nos minutos iniciais, os espectadores têm dados que comprovam que Aron é um cara que se distanciou da família e é centrado nos seus afazeres (cenas dele não atendendo o telefonema de seus familiares são constantes). Uma daquelas pessoas que planejam viajar, sozinhos e não avisa ninguém. E ter planejado a aventura e sem avisar ninguém, é o fator que o torna esquecido (pois ninguém sabia que ele foi pra lá). Daí, o roteiro joga uma liçãozinha de moral: “Filhos, quando saírem de casa, avisem pra onde estão indo. Senão poderão acabar como ele.” Neste confinamento preso à uma pedra, é que percebe o quanto foi egoísta; em meio à pesadelos e alucinações, tem uma catarse no meio do deserto.

Mas sempre perseverante, mesmo sem comida, com pouca água e com frio; ele tentou se manter calmo e ponderado. Os closes com pontos de vista de dentro, transpõem a sensação de escassez (como Aron bebendo o último gole de água, a câmera estava posicionada de dentro do cantil, mostrando o interior e a boa dele bebendo o líquido). Os cortes são bruscos e junto com a trilha sonora, podem ser remetidos aos videoclipes da cultura MTV dos anos 90.

Para os poucos familiarizados com o diretor Danny Boyle, ele é o responsável pelos aclamados Transpotting e Quem quer ser um Milionário (o vencedor do Oscar em 2008). A estética do diretor, abusa das cores saturadas, assim o fez em Quem Quer ser um Milionário e repete neste longa. A fotografia abusa das cores, imprimindo na tela o calor e a aridez do Grand Canyon (local onde o alpinista fica preso). Já o cenário, em maior parte do longa é o local onde Aron se encontra.

Os enquadramentos se limitam à pequena fenda onde ele se encontra; sendo explorados diversos ângulos e planos. Alternando também com as filmagens realizadas pelo alpinista em sua câmera. Boyle usou parte de seu experimentalismo nesta produção – em cenas como Aron filmando uma declaração aos familiares, com o visor de sua câmera virado para o ponto de vista do espectador, com o foco de James Franco embaçado , e a sua filmadora amadora ocupando o canto da tela-; pode-se perceber a curiosidade do diretor na exploração da câmera. Não só este momento, muitas outras são realizadas com o foco descentralizado de diversos ângulos, que, dentro de um buraco com uma pedra no meio, ele pôde utilizar.

Outra salva é James Franco, um dos jovens atores em ascensão. Iniciou sua carreira em uma comédia romântica, mas depois da série Homem Aranha, conseguiu participar de produções interessantes como Milk – A Voz da Igualdade e James Dean, pequenas participações em filmes (como Ligeiramente Grávidos e O Amor não Tira Férias) e será o apresentador do Oscar no mesmo ano em que concorre no prêmio de Melhor Ator por seu trabalho. Sua atuação, mostra a sua versatilidade e capacidade em mostrar-se desnudo. Mesmo não tentando com muito esforço, Franco é um daqueles que pode-se esquecer durante a narrativa, que se trata de um belo rosto; pois os espectadores só verão o personagem e não o ator. Mas sua empatia possivelmente não será suficiente para tirar o Oscar de Colin Firth.

Estreia 18 de fevereiro
FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: O DISCURSO DO REI

9 fev

O Discurso do Rei (o recordista de indicações ao Oscar 2011- total de 12 indicações-) é dirigido por Tom Hooper e estrelado pelo australiano Geoffrey Rush (Piratas do Caribe) e pelos britânicos Helena Bonham Carter (Alice no país das maravilhas) e Colin Firth (Bridget Jones); todos indicados ao Oscar por suas atuações. O longa revela o backstage da coroação do Rei George VI da Inglaterra.

Resumindo a história: quando o rei George V morre, o primogênito (Guy Pearce) abdica do trono pra se casar com uma divorciada americana; o seu irmão Bertie (Colin Firth) é o sucessor e assume o trono. este – por sua vez – tem problema de gagueira e que pode ser um fator decisivo na sua gestão do país. No início da narrativa, os espectadores acompanham as tentativas de Bertie de curar tal carma que o persegue desde sua infância.

Quando perde as esperanças de encontrar um médico que o livre deste mal, sua esposa descobre Lionel (Geoffrey Rush); um fonoaudiólogo que utiliza métodos pouco ortodoxos e sendo um ator, não médico. Bertie se mostra relutante com o tratamento; já Lionel faz de tudo para entender o porquê da gagueira dele. Com exercícios de trava-línguas e de fortalecimento de diafragma, ele consegue algum resultado; mas é defrontando as inseguranças e medos do Rei é que ele tem a chave para a cura. O passado de repressão o transformou em um homem inseguro, cauteloso, tenso, desconfiado e sem confiança na sua voz. Para ele um rei tem que ter voz e ele não tinha. E é trabalhando na autoconfiança e no estímulo ao poder de enfrentar, que Lionel consegue atingir seu objetivo de ensiná-lo a falar.

Mas não foi apenas esta batalha que ele enfrentou, outra bastante difícil veio após sua coroação: a segunda guerra mundial. Quando o filme parece que vai finalizar, engana os espectadores que de deparam com a ascensão de Hitler, um homem imponente e com discurso bem dito e seguro. O contrário de Bertie e como ele mesmo diz quando assiste ao Führer : “seja o que esteja falando, está dizendo bem”. E este é um dos fatores pelos quais Hitler teve simpatia, ele sabia falar em público e era convicto do que estava falando. A Inglaterra passou por maus bocados, mas teve um rei que foi homem o suficiente pra agüentar o rojão da segunda guerra e enfrentar a Alemanha, provando que tinha sim voz.

Como foi dito anteriormente, o longa é o recordista de indicações; tendo seu elenco indicado às principais categorias. Colin exibe a insegurança do rei, bem como seu orgulho. Mas sua atuação depende de seus companheiros de cena Helena e Geoffrey; que desenvolvem um jogo cênico com ele. A primeira por estar por trás do marido, acompanhando e lhe incentivando, é a figura perseverante que dá suporte a ele; e o segundo por ser a força motriz que traz à tona a verdadeira causa da gagueira. A relação desenvolvida por Colin e Geoffrey no decorrer da trama é o que o torna a aposta do Oscar. O Discurso do Rei é um drama, que se baseia na relação de dois personagens históricos para mostrar uma repressão vestida de gagueira.

ESTREIA 11 DE FEVEREIRO

Ficha técnica

CRÍTICA: CISNE NEGRO, de DARREN ARONOFSKY

3 fev

A dualidade em uma bailarina é o mote da trama dirigida pelo indicado ao Oscar de Melhor Diretor, Darren Aronofsky (O Lutador). Estrelada pela ganhadora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Natalie Portman (V de Vingança); Cisne Negro traça um paralelo entre a bailarina e o personagem que irá performar em O Lago dos Cisnes, a Rainha Cisne. Nina é uma jovem que faz parte de uma Cia de ballet, que está em momento de transição; sua bailarina principal (Winona Ryder) está se aposentando e há uma vaga para interpretar a protagonista em seu novo espetáculo.

Ela é pressionada pelo diretor artístico Thomas (Vicent Cassel) e ameaçada com a chegada de Lily (Mila Kunis). Se defronta consigo, adotando uma postura autodestrutiva e psicótica. Nina sofre um terror psicológico, tendo alucinações e severas automutilações. Todo o pânico sofrido é por conta do controle do diretor – que utiliza artifícios sexuais para conseguir o resultado das bailarinas -. O Cisne Branco ela desenvolve rapidamente (sendo uma jovem dócil e meiga), já o Cisne Negro é o que causa o pesadelo em sua vida (este possui uma personalidade sensual e maliciosa). Thomas propõe a Nina exercícios sexuais, não a fim de se relacionar com ela, mas sim de ter o resultado esperado – o que causa estranheza na moça, já que ele tem fama de seduzir suas bailarinas-.

Ela busca de todas as maneiras agradar e convencer de que é a escolha certa para o papel; mas suas alucinações a desestabilizam. É pela pressão e insegurança que todo seu terror se embasa, na incapacidade de realizar o Cisne Negro. O filme é um daqueles que prende a atenção os espectadores causando momentos de tensão. São colocados em dúvida todos os acontecimentos, pois muitos deles são alucinações da psicótica bailarina. A presença de Lily a incomoda, a tal ponto dela se confundir com um alter ego; já que Lily possui as qualidades que lhe faltam. E para conseguir levar os espectadores às suas torturas mentais,Aronofsky utilizou artifícios técnicos, como suporte do roteiro. A câmera, por exemplo, em sua maior parte enquadra os atores em closes (seja dos pés ou rostos) e na maioria das vezes está na mão do cinegrafista (transpondo as agonias e o olhar de Nina – assim como o olhar do espectador que segue os passos dela). Também foi explorado o recurso sonoro, a trilha impactante deixa os espectadores a morder os lábios pela tensão proporcionada.

Além dos aparatos técnicos, o roteiro é instigante e provocador (coloca as questões das bailarinas contra a parede – sendo uma profissão desgastante e de curto prazo), com direção visionária (os demais filmes de Aronofsky não deixam mentir – Réquiem para um sonho e O Lutador) e atuações primorosas. Fala-se muito em Natalie Portman, este é o momento dela, sendo uma das poucas atrizes que consegue transitar pelo doce e amargo; Natalie imprime em Nina seu lado menina ao mesmo tempo em que é uma mulher desabrochando. Todas as angústias e frigidez da personagem são enfatizadas pelos olhares dela. E pouco se fala de Vicent Cassel (À Deriva), que também exibe uma atuação primorosa, é dele o papel de por a moça contra a parede, usando os mais variados artifícios. Já Winona Ryder (Garota, Interrompida) vive uma bailarina aposentada e também autodestrutiva; é uma pena sua participação e intervenção na história seja pequena.

O filme é um tanto perturbador, um verdadeiro suspense psicológico. E mais uma produção de Aronofsky, que o coloca no lugar que deve estar: indicado a Oscar. Este ano, o favoritismo de A Rede Social e O Discurso do Rei, podem tirar a sua vez, mas o brilhantismo da atuação de Natalie pode finalmente premiar a atriz. Cisne Negro é de Natalie.

ESTREIA 04 DE FEVEREIRO

FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: O VENCEDOR

31 jan

Quando os espectadores assistirem ao filme se depararão com duas estranhezas nos créditos inicais, os nomes de Darren Aronofsky (O Lutador) e Mark Wahlberg (Os Infiltrados) na produção. Para os que não sabem, Darren foi cogitado para dirigir O Vencedor (The Fighter)e não aceitou,e agora o longa concorre ao Oscar de Melhor Filme e Diretor junto com Cisne Negro, última produção de Darren. Já o nome de Mark é uma estranheza, pois ele protagoniza o longa, mas é ofuscado pelo talento de Melissa Leo e Christian Bale (premiados por suas atuações no Globo de Ouro e SAG Awards, e fortes candidatos ao Oscar).

O Vencedor narra a história de Dick (Bale) um ex boxeador que tinha uma carreira promissora, mas entrou em decadência por conta do uso de crack; ele treina o irmão mais jovem Mick (Wahlberg) e injeta nele tudo que ele poderia ter sido e não foi. Mas os problemas com drogas dele atrapalham o crescimento do irmão, o que faz o lutador recear em trabalhar com ele. A mãe Alice (Melissa Leo) é a empresária e monopoliza os negócios da família.

Alice e Mick depositam no jovem todas as suas esperanças de vitória. Querendo transformá-lo em algo que Dick não conseguiu ser; que por sua vez é acompanhado por documentaristas da HBO, e que no decorrer da trama os espectadores percebem que este retrata os males do crack e não a vitória de Dick sobre um grande lutador. Já ele fantasia que o programa é pra mostrar sua vida; mas quando é lançado, a verdade sobre sua vida de alienação é escancarada para toda a sua cidade; fazendo-o perceber o mal que fazia pros familiares e como era deprimente sua situação.

A atuação de Bale é o ponto forte do filme, assim como sua companheira de cena Melissa Leo; e ao que tudo indica os Oscars serão deles. Bale tem o poder de se tornar invisível diante do papel; os espectadores vêem Dick e não o Batman ou o Psicopata Americano (personagens famosos de Bale). Além de sua magreza desconfortante, Bale se mostra sem maquiagem, desnudo e incorpora a essência do verdadeiro Dick. Nos créditos finais, há imagens dos verdadeiros vencedores e sem os seus respectivos nomes, mesmo sem a identificação os espectadores sabem quem é Dick e Mick. Isso se deve pela entrega e criação minuciosa do personagem por Bale.

Definitivamente, este é o filme de Bale e não do produtor/protagonista Wahlberg. E parafraseando Rubens Ewald Filho: ‘é um filme que Wahlberg convidou Bale e deixou ele roubar a cena’. E corrigindo, Bale deveria ter sido indicado ao Oscar de Melhor Ator e não Coadjuvante. No final, o vencedor não é o lutador e sim seus familiares que fizeram tudo o que podiam pra ele atingir a glória; que não é exclusiva dele e sim do irmão.

Estreia 04 de fevereiro

Ficha Técnica

CRÍTICA: INVERNO DA ALMA

27 jan

Jennifer Lawrence é a jovem de 20 anos que recebeu uma indicação de Melhor Atriz no Oscar e Globo de Ouro por sua atuação em Inverno da Alma. Pra quem não conhece a moça, ela já atuou em The Burning Plan do mexicano Guillermo Arriaga, fez participações em séries de Tv (como Monk) e estará em X-Men – The First Class. A jovem encabeça o casting e fez por merecer suas indicações aos prêmios. O longa conta a história de Ree (Lawrence) que sai em busca pelo pai, depois que descobre que ele usou a casa que mora com os irmãos (que ela cria) para pagar sua fiança. Nesta busca, ela lida com os diferentes tipos de pessoas. E descobre coisas que mudará sua vida.

Ree lida com seus problemas como adulta mostrando sua maturidade. A trama perpassa a busca dela pelo pai, e quando tem a certeza de que ele está morto; ela procura pelo corpo dele para provar à polícia e manter sua casa. Acima de tudo, ela não quer saber do pai e sim de manter um lar para seus irmãos. Ela quer que eles tenham uma casa e tudo que faz é para eles. A força dela faz as pessoas mudarem suas atitudes e a ajudarem. Neste verão, Inverno da Alma é uma pedida para dois, não tente ver sozinho(a).

Estreia 28 de janeiro.
Ficha Técnica

LIXO EXTRAORDINÁRIO

20 jan

Vik Muniz é um artista plástico brasileiro conceituado no exterior. Seus trabalhos utilizam objetos para configurar suas fotografias. Adentrou as casas dos brasileiros com a abertura da novela Passione, realizada com Hans Donner e alunos da ONG Spetaculu. Em Lixo Extraordinário, os espectadores acompanham o artista realizando um trabalho com catadores de materiais recicláveis do Aterro de Jardim Gramacho em Duque de Caxias (RJ), o maior da América Latina e que será fechado em 2012. O longa foi premiado em Sundance e Berlim.

O documentário acompanha Vik conhecendo o lixão e suas possibilidades. Lá ele conhece os catadores e suas histórias; escolhe os modelos e tira suas fotos. Em uma segunda etapa, ele realiza a transposição das fotos através dos materiais recolhidos por eles mesmos. Livre de demagogias, o trabalho que Vik realiza no local tem um desdobramento do que a arte é capaz de realizar com pessoas sem perspectivas de vida. Mudanças reais aconteceram na vida das pessoas que se envolveram no projeto, como uma das mulheres que largou o marido porque se deu conta de que era muito pra ele – o marido maltratava e explorava a mulher -.

O primeiro contato que ele tem com eles é o de conhecê-los, neste primeiro momento em que os espectadores conhecem suas história e trabalho; os catadores mostram que têm mais consciência sócio ambiental do que os moradores de Leblon e Barra. Em seus relatos eles mostram o quanto é perdido nos lixos e como as pessoas desperdiçam suas coisas. A conscientização de preservação do meio ambiente deles se vale da seleção de materiais que são enviados para a sua associação. É um trabalho regularizado por eles mesmos e muito bem administrado. E o pior de tudo: pessoas jogam livros no lixo. Eles mesmos acham os livros, um deles relatou que já leu O Príncipe de Maquiavel , Código da Vince entre muitos outros. O que faz um ser humano jogar no lixo um Maquiavel? O lado Poliana da história é que Maquiavel e muitos outros escritores, foram bem aproveitado por eles, que lêem as preciosidades jogadas fora.

Mostra que depois de realizada as fotografias e transposições para o lixão; teve um poder transformador na vida deles, e os fizeram pensar diferente e ver que no final de tudo: tudo é arte. Com o projeto, os catadores aumentaram suas visões sobre a vida e realizaram mudanças. Ao inseri-los no mundo da arte, eles puderam ver o quanto são poderosos e bonitos. Os produtores se confrontam com um problema, os catadores ao perceberem que podem mais, não querem voltar pro lixão. E parte deste conflito dos produtores, se eles têm ou não responsabilidade sobre esta mudança, e como dar continuidade à ela, já que foi iniciada por eles.

E deixam recados à todos que reclamam de ‘barriga cheia’: a vida é bela, devemos fazer coletas seletivas e tudo pode ser, basta querer. O filme é um dever cívico para os cidadãos entenderem que devemos reciclar e cuidar do lixo que produzimos. Adendo: atenção na trilha sonora composta por Moby, é sensacional, embasada na sensibilidade artística de Moby.

ESTREIA 21 DE JANEIRO
FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: BIUTIFUL

17 jan

Depois de 4 anos sem lançar longas, além de desfazer sua parceria com o roteirista Guillermo Arriaga (21 gramas), o cineasta mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu (Amores Brutos) estreia um dos mais aguardados da temporada: Biutiful. Ao contrário de suas produções anteriores, este não engloba diversos personagens e um acidente que destrói suas vidas, em uma edição fragmentada. Segundo Iñárritu, depois de Babel, ele queria tentar algo menos complexo e focar sua trama na trajetória de um personagem. E é mais ou menos o que ele fez.

O filme conta a história do herói trágico Uxbal (Javier Bardem) pai de um casal de crianças, que se descobre na iminência da morte e tenta construir um lar e fazer um pé de meia para que seus filhos sejam criados dignamente. Mesmo focando em Uxbal, em uma narrativa linear, o longa mostra uma trama interessante em paralelo: o tráfico de chineses. De forma humanizada, ele mostra os dramas e a exploração dos chineses na Espanha, e que não é algo que acontece com exclusividade no país.

Iñarritu criou uma narrativa densa e trágica, mesmo tendo buscado o foco em um personagem em uma edição linear; é iniciado com um diálogo em off e uma cena diversa. Que mais tarde os espectadores a presenciam novamente. As características fortes no filme são: a estética marginal, a trilha, a direção dos atores, o roteiro e os close ups. Os enquadramentos exploram as ações das personagens, imprimindo o drama delas. A trilha é de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta), o diretor musical mexicano já é um colaborador nas produções de Iñárritu. Alejandro é um daqueles que conseguem extrair tudo de seus atores, mesmo de crianças – como já fez em Babel, onde buscou crianças de uma comunidade para interpretarem personagens importantes no longa -. Um dos personagens mais fortes é um menino de 7 anos, que culpa a mãe pelo divórcio e pelos problemas da família.

Bardem também não fica pra trás, o espanhol criou minuciosamente os movimentos do personagem, ficando claro suas intenções mesmo quando ele apenas observa. Sua relação com os filhos é de pai devoto, que faz de tudo para protegê-los. Biutiful é a aposta do México por uma vaga no Oscar, há 10 anos atrás Iñárritu concorria com Amores Brutos; e no Globo de Ouro também. Para quem duvidava se Alejandro iria conseguir realizar um filme sem Arriaga, este longa é a prova do talento e a consolidação de uma importante co produção México-Espanha, que conta com os mais importantes nomes do cinema mexicano: Gustavo Santaolalla, Afonso Cuarón, Guillermo Del Toro e o próprio Alejandro Gonzalez Iñárritu.

Estreia 21 de janeiro

Ficha Técnica

O MÁGICO

14 jan

A animação de Sylvain Chomet (As bicicletas de Belleville) e com o roteiro original de Jacques Tati, mostra a história de um mágico em decadência. Através de imagens conhecemos os personagens e seus perfis. O filme apresenta poucos diálogos e muitos sons e ações. Mesmo sendo desenho, ele imprime a frustração e sofrimento dos personagens e artistas que transpassam a vida deste mágico.

O longa apresenta uma linha de desenho muito similar ao outro trabalho do diretor: As bicicletas de Belleville, uma das melhores animações. E assim como este, O Mágico se destina ao público adulto ao retratar artistas em decadência, tendo que se sujeitar a apresentações em festas para pessoas que não dão valor ao seu trabalho. Além do Mágico, se encontram os trapezistas, ventríloquos e uma banda de rock que toma o lugar dos artistas convencionais. Não é preciso diálogos para se ter empatia com os personagens. O personagem principal possui o jeito e modos que se assemelham ao personagem de Jacques Tati. Além disso, tendo mais referências ao cineasta, como uma cena em que o mágico entra no cinema e está sendo exibido um filme de Tati. Atenção no coelho gordo e briguento que o mágico utiliza em seus números.

O Mágico está indicado ao Globo de Ouro de Melhor Animação. Fugindo da onda de animações em 3D, ele adota uma estética antiga e que abusa de traços de desenhos convencionais não deixando de perder a qualidade. Podendo ser também uma homenagem ao cineasta Jacques Tati. É mais uma prova que mais vale uma idéia na cabeça.

Estreia 14 de janeiro.

Ficha Técnica

Crítica – ALÉM DA VIDA de Clint Eastwood

5 jan

Além da Vida o novo projeto de Clint Eastwood e segunda colaboração do ator Matt Damon com o diretor. O filme é um tanto diferente dos demais de Eastwood, este fala sobre o espiritismo e na vida após a morte, mas de diferentes maneiras. É mostrado através de três personagens, que em determinado momento tem suas vidas cruzadas. Além de Damon, no elenco Bryce Dallas Howard e Cécile de France. Atenção nos pequenos que interpretam os gêmeos Jason e Marcus.

O longa inicia com uma sequência vertiginosa de um tsunami, a grande onda invade o local onde a personagem de Cécile se encontra, a cena mostra a luta pela sobrevivência em meio ao caos que se instaura quando o mar toma conta do local e a correnteza leva tudo o que vê pela frente, deixando para trás mortos e desabrigados. O desespero das pessoas e a tentativa de se manterem vivos torna a história crível e ganha os espectadores.

O segundo personagem é de Damon, um vidente que não exerce seu dom, pois para ele não é um dom e sim um fardo. Matt Damon e Clint parece ter se dado bem, pois esta parceria confirma o talento do ator, que em sua filmografia estrelou longas de diferentes gêneros e orçamentos, do humor negro de Kevin Smith ao blockbuster Bourne. O ator prova que é um artista completo e dá vida ao médium que está em busca de uma vida longe da mediunidade. Mesmo que as pessoas insistam a todo o momento para que ele faça o contato.

E por fim, os gêmeos . Dois irmãos – cuja mãe é viciada em heroína – lutam para que ela não perca a guarda deles. Através de ações e da direção dos atores, os espectadores podem perceber o quanto eles são ligado e como são independentes. É evidente que eles cuidam da mãe. Mas um acidente tira a vida de um, Jason. Marcus sai em busca de respostas e um possível contato com o irmão. McLaren (Marcus) conseguiu imprimir a solidão, sofrimento e dependência que o personagem sente pela falta do outro irmão; conseguindo emocionar os espectadores.

Além da Vida baseia-se nas experiências desses três personagens. E é um filme de atores. O fascínio pelo que acontece depois da morte é o mote deles. Um longa que está além de qualquer religião e um drama que enaltece o talento dos atores e diretor.

Ficha Técnica
Estreia 07 de janeiro

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 MELHORES FILMES DE 2010

28 dez

Dando fim às comemorações de fim de ano: encerro o especial com os melhores filmes 2010!!! Tendo em vista os que assisti durante o ano. Ressaltando que estes são os filmes que vi e considero os melhores!

 

1.A Origem de Christopher Nolan

A Origem é um dos filmes que estão concorrendo ao Globo de Ouro. Não é o favorito, mas acredito que seja um importante concorrente. Já o citei centenas de vezes no blog.  Abstraindo o 3D, Nolan criou uma trama enigmática tendo como tema  os sonhos.  Leonardo DiCaprio é um ladrão de informações, que penetra nos sonhos alheios; é contratado para um trabalho diferente: implantar uma idéia na mente de um terceiro. Quem o contrata é Ken Watanabe, em sua segunda parceria com Nolan; quem  tem a idéia implantada é Cillian Murphy, em sua terceira parceria com o diretor. Completando o mega elenco: Marion Cottillard (como a sombra de DiCaprio),  é a esposa traída; Michael Caine (em sua quarta parceria com Nolan) o mestre inglês da interpretação em uma participação especial; Joseph Gordon Lewitt, que surpreendeu com uma atuação concisa e fechando: Ellen Page, a Juno.

Curiosidade: a trilha sonora – do ganhador do Oscar Hans Zimmer – foi feita juntamente com Nolan durante caminhadas na praia. Zimmer acompanhou a produção do filme e retirou duas notas da música Non Je ne regrette rien de Edith Piaf, para criar a trilha.

 

2. A Rede Social de David Fincher

O longa de David Fincher é uma das promessas do Globo de Ouro, perdendo em indicações para O Discurso do Rei (que ainda não estreou no Brasil). O filme conta a história da fundação do Facebook, a rede social que mais cresce mundialmente. A Rede Social mostra as motivações e a genialidade de seu cofundador,  ele teve a idéia de criar a rede após levar o pé na bunda da namorada. Hoje em dia, o facebook contém milhares de usuários e muitos destes o têm como estilo de vida. A narrativa do filme intercala dois dos principais processos que Mark (o principal fundador) enfrentou,  tais processos revelam o caráter dele.

Atenção: na trilha sonora criada pelo vocalista do Nine Inch Nails. Em um dos teasers do filme, há um coral feminino cantando Freak do Radiohead, esta música não poderia vender melhor o filme.

 

3. Machete de Robert Rodriguez


Quando lançou Planeta Terror – filme que faz parte do projeto Grindhouse, produção realizada em colaboração com Quentin TarantinoRodriguez criou um trailler fake para abrir as sessões do filme. O trailler fez mais sucesso que o filme; fãs e Danny Trejo não só gostaram da brincadeira como a levaram a sério e pediram ao diretor pra concretizar o filme. Anos depois ele finalmente lança MACHETE; que tem como protagonista seu primo, o ator Danny Trejo, um ícone mexicano dos filmes b. No elenco, outros ícones e descendentes latinos: Jessica Alba, Michelle Rodriguez e Cheech. Além de Steven Seagal (em seu primeiro vilão), Lindsay Lohan e Robert DeNiro.  Na trama, um mexicano ‘bronco’ é usado como bode expiatório em uma conspiração para levantar a popularidade de um candidato ao senado (DeNiro). Mas como o trailler diz: “Eles não sabiam que tinham f*dido com o xicano errado”. E aí a coisa toda acontece.

Curiosidade: Ao que tudo indica, os teasers do final do filme; anunciando as continuações são verdadeiros. Rodriguez prepara os roteiros para Machete Mata e Machete Mata de Novo.

 

 

4. Alice no País das Maravilhas de Tim Burton

Alice foi um dos filmes mais aguardados do ano, para os fãs de Lewis Carroll ele decepcionou; mas para os fãs de Tim Burton foi uma das principais estréias do ano. Explicando a primeira afirmativa: Tim criou sua Alice, a história acontece anos após o evento narrado no original de Lewis Carroll e mostra a jovem já em sua adolescência em um noivado não esperado. Ela então cai no buraco (novamente) e está predestinada a combater a Rainha Vermelha e seu império. Na Alice de Burton – mesclando Alice no país das maravilhas e sua continuação Alice através do espelho – é isto que acontece.  Mas a grande expectativa foi a tecnologia 3D, pois como todos sabem, esta história é uma viagem e tanto; além da tecnologia a direção de arte e a participação de Johnny Depp como Chapeleiro Maluco, também foram os requisitos que fizeram de Alice uma das grandes apostas do ano.

 

Atenção: Mesmo sendo em 3D , muitos espectadores saíram desapontados com seu uso no filme, mas na cena em que Alice cai no buraco, temos uma bela cena em 3D.  Sem contar Helena Boham Carter como a Rainha Vermelha, está magnífica.

 

5.Scott Pilgrim vs  the world de Edgar Wright

Juntamente com Kick Ass, Scott Pilgrim representa a cara das novas HQs. Com uma linguagem mais jovem e moderna, estas duas tiveram boa receptividade do público. Scott Pilgrim, infelizmente, por pouco não estreia nos cinemas cariocas. Em sua data de estreia, as salas do Rio estavam lotadas por conta de Tropa 2. Mas a distribuidora deu seu jeitinho brasileiro e trouxe o filme pros cariocas também. Mas por que o filme merece estar nesta lista? Mil motivos: 1. A estética é baseada em elementos dos quadrinhos e games, 2. Michael Cera está quebrando tudo como personagem título, 3.Trama absurda mas que dialoga com os jovens., 4. Kieran Culkin mostra todo seu talento e por aí vai… Na trama, Scott se apaixona por Ramona Flowers, mas para ficar com ela tem que vencer seus 7 ex namorados do mal.

Atenção: Nos cortes e diálogos inteligentes. E a cada  ex namorado vencido, ele ganha pontos e moedas.

 

**Menção honrosa:

 

*O Pequeno Nicolau de Laurent Tirard

Filme infantil que deu  o que falar nos cinemas, conquistou o famoso boca a boca e ainda permaneceu meses em cartaz. O longa mostra as peripécias de Nicolau  e sua trupe de amiguinhos; estes também têm suas especificidades: o burro da classe, o comilão, o nerd, o rico, o espertinho e o bagunceiro. Nicolau pensa que sua mãe está grávida e quer dar o fim no ‘irmão’ antes dele nascer. A trupe trama vários planos para dar fim no suposto irmão. Ótima comédia para a família.

Curiosidade: Nicolau se assemelha ao nosso Menino Maluquinho, só que com sotaque francês. Assim como ele,O  Pequeno Nicolau  também é uma adaptação de um livro infantil.

 

*Tudo Pode dar Certo de Woody Allen

Com certeza Woody Allen fez sua melhor estreia no ano com Tudo Pode Dar Certo. O filme traz o velho e bom Woody em sua Nova York. Conta a história de Boris, um velho reclamão, pessimista que dá aulas de xadrez para crianças, mas não as suporta. Um belo dia, encontra Melody (Evan Rachel Wood) em sua porta, que lhe pede abrigo e acaba ficando. Mais uma vez, Woody não estrela e deixa o seu alter ego pra Larry David (Seinfeild). Mas quem rouba a cena mesmo é Patricia Clarkson e sua descoberta sexual. Roteiro inteligente+direção afiada+elenco talentoso= a um grande filme. Tudo começa com o roteiro.

Curiosidade: O roteiro foi escrito há uns 20 anos por Woody , mas ele o guardou na gaveta. EM 2009 ele decidiu que era a hora de colocá-lo pra fora e só o faria com Larry David –que deixou claro que faria Boris à La David, ele não repetiu os cacoetes de Woody-.

 

 

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Estes foram os melhores do ano!!!

Boas Festas!!!

Crítica – INCONTROLÁVEL de Tony Scott, com Denzel Washington

23 dez

“Incontrolável” é a mais nova parceria entre o diretor Tony Scott e o ator Denzel Washington. Parceria que iniciou em 95 com Maré Vermelha. Pra quem não sabe, Tony é conhecido como o irmão sem talento de Ridley Scott. Na realidade, ele tem talento sim; mas sua especialização são os filmes de ação. E seu último longa não foge à regra.

Para os espectadores que adoram ver o bom e velho Denzel, segurando armas, acabando com os bandidos, mascando o chiclete ou o palito de dente; este longa – assim como O Seqüestro do Metro 1 2 3 (também de Tony Scott) – não tem o bom e velho Denzel, apenas o velho. Ele interpreta um maquinista que está cumprindo seu aviso prévio e em mais um dia de trabalho, encontra um big problema pela frente: parar um trem em alta velocidade.

Voltando mais ou menos um ano atrás, Tony lançou o Sequestro do Metro 1 2 3; Denzel era um encarregado de uma estação de metrô e – como estava no lugar errado no dia errado -, virou o negociador da empresa com o seqüestrador (John Travolta) do vagão; após bancar o herói, Denzel consegue o perdão da cidade (estava sendo indiciado por suposto recebimento de propina). Em “Incontrolável” a história não muda, sai John Travolta e entra um trem desgovernado. E, novamente, Denzel está no lugar errado e no dia errado; sobra pra ele bancar o herói.

Deixando as semelhanças de lado e analisando o longa, este – o que poderia se dizer? – é mais um com a marca de Tony Scott. Mesmo com uma trama que os espectadores estão cansados de assistir, o velho Tony ainda tem a manha da coisa: ele é sim um expert nos filmes de ação (seu curri não engana, entre seus sucessos estão Chamas da Vingança, Top Gun e Jogo de Espiões). É um visionário se tratando de estética.

Neste último, a estética não fica pra trás, os enquadramentos e cortes da câmera fazem a diferença na narrativa e imprime a ação e emoção que o roteiro não tem. Por falar nele (o roteiro), recorre aos celébres clichês: como no exato dia da catástrofe, uma escola decide levar seus alunos para conhecerem uma linha férrea. Que tipo de escola faz este tipo de passeio? E só pra criar uma tensãozinha de que vai bater no trem em que os alunos estão passeando. Aos fãs do gênero,”Incontrolável” apresenta mais de Denzel, mais de Tony, mais de ação e mais um filme que daqui uns anos estará sendo exibido no mesmo horário que “Carro Desgovernado” um dia foi.

Ficha Técnica

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ESTREIAS NACIONAIS DE 2010

20 dez

Como todos sabem, o cinema nacional está crescendo absurdamente, e as produções não ficam pra trás de qualquer blockbuster americano. Na lista, estão os mais variados gêneros representados pelas principais estréias e melhores filmes do ano (dos que eu vi)!

 

1. Tropa de Elite 2

Tropa 2 veio após o estrondoso sucesso de seu antecessor, mesmo tendo sido um sucesso entre os espectadores, sua bilheteria não foi a das melhores, pois uma cópia vazou nos camelôs meses antes da estreia do filme. Para não repetir o erro de Tropa 1, desta vez a produção foi muito cuidadosa, criptografando todas as cópias de Tropa 2, e elas ainda tiveram seguranças; foi contratado o responsável pela maior bilheteria do cinema nacional para traçar as estratégias de distribuição e divulgação. E o resultado? A maior bilheteria do cinema nacional!!! Mas isso não se deve apenas às estratégias, e sim pela qualidade e crítica presente no filme. O conteúdo se adéqua perfeitamente aos dias atuais, tendo sido adiada sua estreia por conta das eleições. Com certeza, se tivesse estreado antes os resultados seriam diferentes. Neste filme, assim como o anterior, a crítica se faz presente. Mas ao contrário do antecessor, este foi escrito tendo como foco o Capitão Nascimento (Wagner Moura), em que ele é agora Secretário de Segurança. O talento da equipe, dos atores (em especial Moura) , o roteiro e , principalmente, o espelho à situação política das comunidades, contribuíram para este sucesso.

 

2. Eu e meu guarda-chuva

O cinema nacional vem crescendo de forma absurda, e um dos gêneros que têm se desenvolvido de forma qualitativa é o cinema infanto-juvenil. Eu e meu guarda-chuva é prova disto. Adaptação de livro homônimo do titã Branco Mello e Hugo Possolo, conta a história de Eugênio e seus amigos em uma aventura em sua nova escola. Acontece que eles irão iniciar as aulas em uma nova escola, onde tem um fantasma de um antigo e aterrorizante professor (Daniel Dantas). Partem pra aventura pra conhecer o campo inimigo. A trilha não poderia ser de outra pessoa que não o próprio Branco. Atenção na direção de arte e no ator Daniel Dantas, que está fantástico. O filme conta ainda com participações de Paola de Oliveira, Camila Amado, Mariana Lima e Arnaldo Antunes.

 

3. Reflexões de um liquidificador

 

O roteiro marca a estreia do dramaturgo José Antonio de Souza nos cinemas. Tanto ele quanto o diretor são profissionais especializados no grande escritor Machado de Assis, e ele influencia por demais esta obra de humor negro. No longa, Elvira conversa com seu liquidificador que é dublado por Selton Mello. Com a licença poética em dia, o filme abusa do absurdo com humor e um final interessante. Mesmo não sendo uma über produção ele faz jus ao seu lugar em top e listas.

 

4. O Bem Amado

Outra grande estreia, adaptação da obra de Dias Gomes. Depois de estrear na Tv com Paulo Gracindo, no teatro com direção de Enrique Diaz; a obra aporta nos cinemas com Marco Nanini no papel título. A peça não poderia ter sido melhor produzida: Paula Lavigne e direção de Guel Arraes. No elenco, a grande nata artística como Zezé Polessa e Andrea Beltrão. Sem contar Matheus Nac htergaele e Bruno Garcia. A história é uma crítica à situação política e mostra que mesmo tendo sido escrita na década de 60 o texto continua atual. A história do político corrupto e suas artimanhas para inaugurar um cemitério monumental na cidade de Sucupira. O roteiro é divertidíssimo.

 

5. Histórias de Amor duram Apenas 90 minutos

Dirigido e roteirizado por Paulo Halm, com o casal Caio Blat e Maria Ribeiro no elenco. Paulo esteve presente nas principais estréias do ano; entre elas Olhos Azuis de José Joffily. Seus roteiros e contribuições fazem sucesso e Histórias de Amor não fica pra trás. Mostrando a história de uma dúvida que é levada às últimas conseqüências. Caio vive um escritor que acredita que sua esposa mantém um caso com sua melhor amiga. E esta dúvida move as ações do personagem. O filme é intrigante e surpreendente.

 

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É isso aí.

Espero que tenham gostado, e aguardem o especialíssimo: 5 filmes do ano!!!!

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ATRIZES DE 2010

12 dez

 

Dando continuidade às listas dos melhores do ano, este post é dedicado às atrizes que brilharam em 2010 (reforçando que tem mais 876 atrizes maravilhosas, estas são apenas um demonstrativo).

1. Patricia Clarckson

Uma das mais notáveis atrizes norte americana. Tem o poder de camaleoa em seus filmes. A prova está nos seus principais lançamentos no Brasil no ano de 2010. Este ano ela estrelou um Scorsese e um Woody Allen, mostrando todo seu potencial e versatilidade em papéis distintos e interessantes. Tudo pode dar certo é o segundo trabalho que Patricia realiza junto com o diretor Woody Allen. O primeiro foi Vicky Cristina Barcelona.

Tudo pode dar certo de Woody Allen, demorou, mas chegou na tela tupiniquim. O roteiro foi escrito por Allen há um tempo e ele guardou na gaveta, anos depois viu que era a hora do longa ser rodado. Allen volta à sua querida Nova Iorque e volta com a quebra da quarta parede, em que o protagonista conversa com os espectadores; que o consagrou com Annie Hall. Assim como seus últimos longas, Allen não protagoniza. Larry David é seu alter ego. Patricia interpreta a mãe de Melodie (Evan Rachel Wood), que se descobre após seu divórcio e não aceita o relacionamento da filha com Boris (Larry David).

Ilha do Medo de Martin Scorsese. Neste suspense, já citado no post anterior, sua interpretação é brilhante. Mesmo que numa ponta.

 

2. Marion Cottillard

A vencedora do Oscar de Melhor Atriz, foi outra arrebatadora de bilheterias este ano. Marion esteve presente em  duas das principais estréias do ano: NINE e A Origem. O primeiro é um musical, em que ela interpreta Luisa Contini – esposa de Guido (Daniel Day Lewis) e no segundo ela também é a esposa , mas agora é a do mal; sua personagem inferniza os planos do marido (Leonardo DiCaprio). Além destes sucessos, ela rodou um filme com Woody Allen, sendo sua nova musa em Midnight em Paris, longa que segue a linha de  Vicky Cristina Barcelona, ambientada em Paris  e terá no elenco Owen Wilson, Rachel McAddams e Adrien Brody.

NINE de Rob Marshall, já citado anteriormente, Cottilard teve inúmeras indicações; entre elas o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical e o Satellite Awards.  Sem contar a indicação de “Take it all” (música performada por Marion) no Oscar de Melhor Canção Original.

A Origem de Christopher Nolan, ela é o fantasma de DiCaprio, que aparece nos sonhos atrapalhando seus planos. Coube a ela imprimir um tom desequilibrado e auto-destrutivo da mulher enganada. E, é claro, que Marion o fez com maestria.

 

3. Annette Benning

Annette esteve presente em dois filmes este ano. O primeiro Destinos Ligados do diretor Rodrigo García, filho de Gabriel García Marquez, passou desapercebido pelos cinemas. E o segundo, causou frisson no Festival do Rio e está em cartaz sendo um sucesso do famoso ‘boca a boca’.

Destinos Ligados de Rodrigo García, trata da relação delicada de mães e filhas. Tendo como ponto em comum a adoção. A relação dessas mulheres é um tanto conflituosa, estando a todo tempo em embates. Annette interpreta um mulher, que, quando jovem deu sua filha (Naomi Watts) para adoção, mas se arrepende da escolha. Este ato a tornou uma mulher amargurada e infeliz. Sai em busca da filha, mas o destino tem outros planos para elas.

Minhas mães e meu pai, do original The Kids are All right. Narra a história de um jovem filho de um casal homossexual (Julianne Moore e Annette Benning) que sai em busca de seu pai biológico (Mark Ruffalo). O filme ainda tem a fofa Mia Wasikowska (de Alice do Tim Burton). Mais uma vez Annette brilha ao lado de um elenco estelar.

 

4. Meryl Streep

Meryl é o tipo de atriz que sempre merecerá indicações à prêmios e vagas em listas, mesmo que não tenha estrelado em nenhum filme novo. De fato, uma das melhores atrizes ever. Seja drama, ação ou comédia. Ela é o cara.  Com 3 Oscars na prateleira, 7 Globos de Ouro e um 1 Bafta. Inclusive, este ano ela competiu com ela mesma no Globo de Ouro na categoria Melhor Atriz em Comédia ou Musical, por Julie e Julia e Simplesmente Complicado.  Sem contabilizar suas 65 indicações ao Oscar e demais premiações.

Simplesmente Complicado de Nancy Meyers (responsável por filmes como Alguém tem que Ceder e  Recruta Benjamin), comédia romântica em que Meryl tem um caso com seu ex-marido, que é o belo e fora de forma Alec Baldwin. Ao que tudo indica Baldwin se achou (finalmente) na comédia. Meryl – como sempre – mostra competência e talento.

 

5. Kristin Scott Thomas

A britânica tem em sua filmografia several indicações por sua performance em O Paciente Inglês, mas em O Garoto de LiverPool ela provou sua boa forma na arte como a tia rígida de John Lennon. Kristin é uma das mais notáveis atrizes, este ano ela só deu o ar da graça uma vez na telona, mas não passou em branco. Fez e aconteceu no filme.

O Garoto de Liverpool de Sam Taylor-Wood, é a cinebiografia de John Lennon na fase da adolescência. Mostrando sua delicada relação com tia e mãe. Kristin é a tia mandona que cria o sobrinho com rédea curta, até que chega a mãe e coloca um pouco de rock’n’roll na vida do filho. A atuação de Kristin foi uma das melhores do ano, ela provou que é possível conversar com os olhos apenas.

 

Menção honrosa:

Penélope Cruz

Confesso que comecei a curtir a atuação dela depois que a vi em Volver (filme que lhe rendeu muitos prêmios e indicações) de Pedro Almodóvar. Penélope é uma das centenas musas do diretor espanhol Pedro Almodóvar e tem estrelado seus últimos longas. Além  dele, ela coadjuvou um Woody Allen e ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Vicky Cristina Barcelona. Este ano, Penélope se fez presente em NINE como a amante fogosa de Guido e em uma participação em Sex and the City 2. Na realidade, sua participação foi desnecessária e nada acrescentou na trama do longa.  Em 2010 ela rodou Piratas do Caribe, em que fará uma mulher que abusará de Jack Sparrow, o filme é dirigido por Rob Marshall, o mesmo de NINE.

NINE de Rob Marshall, mais uma vez presente na lista, se não fossem tantos nomes acredito que indicaria o elenco inteiro. Penélope foi indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante por este filme, mas perdeu para Mo’Nique. Uma curiosidade: quando a preparadora corporal mostrou à ela sua coreografia no filme, ela pediu a demissão na hora, pois achava que não era capaz de reproduzir os movimentos acrobáticos; mas felizmente insistiram e ela o realizou com competência.

 

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Estas foram umas das 76 atrizes que se destacaram no ano de 2010. Espero que tenham gostado.

Semana que vem:  5 diretores do ano!!!!

 

ESPECIAL FIM DE ANO: 5 ATORES DE 2010

9 dez

 

Em contagem regressiva pro fim do ano de 2010, semanalmente postarei listas com os melhores do ano. E para começar: os 5 atores que se destacaram neste 2010.

Lembrando pela milésima vez que não são apenas estes, mas sim uma seleção singela dos melhores atores dos filmes que assisti. Se tratando de um Top 5, sempre ficará faltando algum, então, caso ache que falte alguém não se acanhe em dizer nos comentários.

Segue os 5 atores que mais se destacaram em 2010 sob o meu olhar:

 

1. Leonardo DiCaprio

Ele já deixou bem claro que é muito mais que um rosto bonito. E depois de sua parceria com Scorsese é que a coisa ficou em evidência. Em 2010, entre os filmes de mais sucesso no cinema estava DiCaprio no meio.

“A Ilha do Medo” é um suspense scorsesiano com DiCaprio protagonizando. O thriller rendeu bons frutos com o público e ainda conta com Mark Ruffalo no elenco.

“A Origem” foi uma das maiores estreias do ano de 2010, e contou com DiCaprio também como protagonista. O longa vasculha a mente humana através dos sonhos, Leo é um ladrão de informações.

Por esses dois grandes sucessos com grandes atuações Leo encabeça essa lista de atores do ano!

2. Wagner Moura

Wagner é um dos grandes atores do cinema nacional, este ano ele vestiu a farda de Capitão Nascimento novamente em uma das maiores bilheterias do cinema nacional. Além de Tropa 2, ele também protagonizou o novo filme da O2 Filmes “VIPs” que tem estreia prevista para abril de 2011. No Festival do Rio ele compareceu à premiere do filme, e falou pouco sobre Tropa 2 – que foi um dos mais aguardados do ano-. Ele conseguiu construir a imagem do verdadeiro super herói brasileiro e ainda arrebatar a segunda parte do filme que foi grande sucesso por ter vazado nos camelôs.

“Tropa de Elite 2” – como o nome diz, o inimigo é outro. O longa coloca o Nascimento como protagonista e expõe o verdadeiro inimigo do BOPE. Ao contrário do filme anterior, este foi feito para o Moura e conta com a participação especial do Seu Jorge logo no início do longa.

“VIPs” é dirigido por Toniko Mello e produzido por Fernando Meirelles. Baseado em fatos reais, narra a história do cara que se fez passar por filho do dono da Gol e foi entrevistado por Amaury Junior em seu programa. Wagner interpreta o protagonista de seus 16 anos à idade adulta.

3. Daniel Day Lewis

 

 

Qualquer atuação dele vale um prêmio ou indicação em listas. Daniel é do tipo que não faz qualquer filme, ele mesmo diz que prefere ser sapateiro no interior da Itália a aceitar qualquer papel. Ele se resguardou na Itália há uns anos e desde então é difícil vê-lo em qualquer produção. Este ano, ele deu o ar da graça em NINE, musical dirigido por Rob Marshall (Chicago) e deixou bem claro que – mesmo sendo um musical – ele não dançaria, esta função caberia às suas companheiras de cena.  E ainda é gato!

“Nine”, o musical da Broadway,  ganhou nova roupagem cinematográfica. O filme é uma homenagem ao cineasta Federico Fellini, e mais parece uma adaptação de seu 8 1/2. Conta a história de um cineasta em péssima fase e recorre às mulheres de sua vida à procura de inspiração. O longa conta com Fergie, Sophia Loren, Kate Hudson, Marion Cottillard, Nicole Kidman, Judi Dench e Penélope Cruz.

 

4. Marco Nanini

Outro grande ator brasileiro, este ano ele estrelou dois longas nacionais, entre eles: O Bem Amado, dirigido por Guel Arraes. Marco havia estrelado o espetáculo baseado na obra homônima de Dias Gomes no teatro e o mesmo fez no cinema. Valendo uma das melhores comédias e melhores interpretações do ano. Seu segundo filme no ano (Suprema Felicidade de Arnaldo Jabor) não teve o mesmo sucesso e nem a mesma qualidade, mas sua atuação continua magnífica.

O Bem Amado, dirigido por Guel Arraes;  em tempos de eleição, o filme mostra o verdadeiro panorama da politicagem no Brasil, onde o prefeito corrupto Odorico Paraguaçu desvia verba pública com a desculpa da construir um cemitério que não é inaugurado por falta de defuntos no local. As artimanhas e peripécias de Odorico pra conseguir tal defunto faz desta uma das comédias mais politizadas e inteligentes do cinema nacional.

 

5. Daniel Dantas

Este é um ator pouco lembrado se pensarmos na teledramaturgia. Mas no cinema Daniel é um expoente.  Este ano, dentre as estréias nacionais ele esteve impecável em 3 longas:  “Sonhos roubados” de Sandra Werneck, “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” de Paulo Halm e o infantil “Eu e meu guarda chuva”. Neste último, ele surpreende como um fantasma de um professor aterrorizante.

“Sonhos Roubados”, o filme conta a história de 3 amigas moradoras de comunidade que dividem suas experiências de vida, de uma maneira bem sutil. Daniel faz o tio que abusa da sobrinha, e brilha.

“Histórias de amor duram apenas 90 minutos” conta a história de um escritor que desconfia que sua esposa o trai com sua melhor amiga. Um roteiro inteligente e atores fantásticos. Além de Daniel como pai do protagonista, o longa conta com o casal Caio Blat e Maria Ribeiro.

“Eu e meu guarda chuva” baseado em obra homônima, é um filme infantil que encanta também os pais.  É uma aventura de três amigos em sua futura escola e o fantasma de um professor. A direção de arte é perfeita,  o longa nos remete a uma versão infantil de A Origem de Christopher Nolan.

 

Menção honrosa:

Danny Trejo

Danny é um ator latino que mais fez coadjuvações em filmes hollywoodianos, mas este ano ele protagonizou Machete, que vem a ser uma das grandes estréias. Além deste, ele também brilhou em Predadores, filme produzido pelo diretor Robert Rodriguez, o mesmo de Machete, que coincidentemente é primo de Trejo.

Nepotismo à parte, o cara é fera, e tem o timming da comédia e da ação.

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Esta foi minha lista dos atores, em breve a lista das atrizes…

Fiquem ligados e à vontade…

 

A REDE SOCIAL, de DAVID FINCHER

10 nov

“A Rede Social” de David Fincher (Zodíaco, Seven e Clube da Luta) narra a história da fundação do Facebook. A criação do site de relacionamentos gerou polêmica e muitos processos ‘nas costas’ de seu cofundador Mark Zuckerberg. Surge então, a curiosidade dos espectadores ansiosos pelo filme e usuários da rede: Como surgiu? Na verdade, esta não é a pergunta certa, e sim: por quê?

Os espectadores e internautas têm muitas respostas para esta questão. A primeira motivação de Mark, foi chamar a atenção da ex-namorada. Criar um site, para que todos usem e compartilhem seus perfis é uma boa estratégia.

Depois, suas pequenas motivações:
1ª Fazer parte de um clube;
2ª Manter contato com as pessoas que conhece;
3ª Saber o que estas pessoas estão fazendo;
4ª E quem está interessado(a), tem ou não namorado(a), ou se está interessado(a) em alguém, entre outros.

Estes pretextos são apresentados no longa, o que era para chamar atenção da ex, vira uma febre entre os jovens de Harvard, e depois do mundo inteiro. Mas o objetivo principal de Mark fica nas entrelinhas, que é ser parte de um clube. Isso fica explícito no relacionamento que ele e seu amigo Eduardo Saavera, recém aceito no clube mais requisitado da Universidade de Harvard, desenvolvem depois da integração do segundo na tal irmandade. Fica claro, que pertencer a um clube é importante sim.

A montagem do filme intercala dois dos processos pelos quais Mark se envolveu durante a fundação do site, sendo mostrado simultaneamente com os acontecimentos. Esta opção fragmentada transforma a narrativa mais pulsante, prendendo a atenção dos espectadores aos dados. Os diálogos frenéticos no ritmo dos feeds de notícias do site são difíceis de acompanhar, se os espectadores não forem gênios da informática; mas não deixam de ter suas qualidades construtivas. A insegurança, imaturidade e genialidade de Mark podem ser captadas através do roteiro. No trailler, há um teaser de quem ele é.

A música Creep do Radiohead no trailler do longa – em versão com um coral feminino – diz em um trecho “eu sou um esquisito, o que estou fazendo aqui? eu não pertenço aqui”. É uma das dúvidas que assolam o jovem milionário. Aliás, toda a trilha – criada por Trent Reznor, vocalista do Nine Inch Nails – pulsa junto com o pensamento rápido dos criadores assim como os bites de transferência dos dados da rede. A música de Trent contribui para a atmosfera nerd.

Para os jovens, pertencer a um grupo é importante na sua vida social, e, a criação do Facebook, possibilita a eles integrar um clube (que só entra quem recebe convite), e a Mark ser o cara legal que criou a grande rede social. Além disso, está em constante mudança, se adaptando às necessidades dos jovens, como ter acesso às fotos, compartilhar links e no mural publicar o que está pensando/fazendo/querendo. Se o internauta sai com alguém, mas desconfia que este alguém tenha outro: facebook it!

Ficha Técnica

PS *Aos que estão na curiosidade de saber como foi fundado o Facebook:
O livro “Bilionários por Acaso: a Fundação do Facebook, uma História de Sexo, dinheiro, Genialidade e Traição”de Mezrich.

A ORIGEM, de CHRISTOPHER NOLAN

2 ago

O diretor e roteirista Christopher Nolan é o responsável pelos dois últimos filmes da franquia “Batman”, os melhores do homem morcego.  Além desses, ainda dirigiu “Following” ,“Insônia”, o cultuadíssimo “Amnésia” e “O Grande Truque”.

“A Origem”, como todo bom filme de Nolan, explora o labirinto da mente humana. Dom Cobb – vivido eximiamente por Leonardo Dicaprio –  invade os sonhos alheios e rouba informações. É como o filme inicia, quando recebe uma proposta de Saito (Ken Watanabe) para fazer o trabalho contrário, inserir uma ideia no subconsciente de um terceiro (Cillian Murphy).Escrever a sinopse foi simples, ao contrário do filme. À começar pelo gênero, é difícil classificá-lo somente um. Eu o classificaria como thriller de ação psicológico. Algumas pessoas classificaram-no como drama, mas ele não sustenta o gênero.

A figura do anti herói e a discussão iniciada em “The Dark Knight” é evidenciada com personagens imorais. Marion Cotillard é Mal, o fantasma de Cobb; seu talento torna a personagem crível, exibindo a personalidade auto-destrutiva e desequilibrada da mulher “traída”. O casting é brilhante: Leonardo Dicaprio, Ellen Page, Tom Hardy e  Pete Postlethwait; os já familiarizados com a linguagem do diretor:  Michael Caine, Cillian Murphy e Ken Watanabe; Joseph Gordon Lewitt – que supostamente será o próximo vilão do “Batman”, o Charada – e outros igualmente exímios.

O pensamento é contínuo, segundo Cobb; partindo dessa premissa é possível traçar um paralelo com a  trilha sonora. A música nos transporta às dimensões da mente, estando ausente em raríssimos momentos,  é um dos elementos fundamentais no filme. Criada pelo ganhador do  Oscar Hans Zimmer, nos transporta ao psíquico das personagens. Hans se apossa de  “Non je ne regrette rien”(“eu não me arrependo de nada”) de Edith Piaf, que seria uma “deixa” que eles utilizam para os seus retornos à realidade, quando imersos nos sonhos.

O filme confunde, intriga e pertuba o espectador. É montado como um quebra cabeça, que  ilusiona. Além disso, as sequencias de ação acontecem continuamente e inesperadamente, tratando-se de uma história que invade a mente humana podemos esperar muitas supresas; inclusive tecnológicas, o longa é um espetáculo de efeitos visuais.

Li em muitos blogs a respeito da expectativa do longa ser premiado com o Oscar de Melhor filme, não sei se ele será indicado; mas acredito que nas categorias de melhor roteiro original, edição, trilha sonora,  diretor, direção de arte, efeitos visuais e mixagem de som, ele seja um potencial ganhador. “A Origem” é, por enquanto, a obra prima de Christopher Nolan e o filme do ano.

Estreia dia 06 de agosto.

CRÍTICA: SALT

24 jul

“Salt” chega aos cinemas com bastante alarde. Não é para menos, o longa é estrelado por Angelina Jolie. Trata-se de mais um filme de espionagem, um verdadeiro thriller de ação. Jolie interpreta a agente/espiã Evelyn Salt; uma mistura de McGyver, Carmen Sandiego e Jason Bourne; mas ao contrário de Angelina, o filme não brilha tanto.

Evelyn Salt, uma agente da CIA é acusada por um desertor de ser uma espiã russa, à partir daí ela foge e vira alvo da CIA. Sinopse um tanto familiar, não acham? Se tivesse Wesley Snipes ou Tommy Lee Jones protagonizando eu poderia jurar que já tinha visto o filme.

A anti-heroína Salt era originalmente um homem, que seria destinado para Tom Cruise (ótimo em filmes de ação), mas ele recusou por conta da similaridade com Ethan Hunt (da franquia “Missão: Impossível”). Porém, Angelina não deixa a ‘peteca cair’. O longa ganha pela presença dela, que esbanja talento no gênero. Diz a lenda, que ela não usou dublês.

Uma outra similaridade do filme é com a trilogia Bourne, mas não chega a tanto. Mesmo incitando em seu final que a franquia tem continuação, a Carmen Sandiego da vez não tem a qualidade da trilogia encabeçada por Matt Damon. “Salt” ganha a plateia com as sequencias de ação.

As reviravoltas na história, a beleza e voracidade de Angelina; podem surpreender os fãs do gênero e tornar o filme atrativo. Se não fosse por ela, ele provavelmente seria boring; estando longe do comprometimento com a qualidade verbal e com a estética abandonada. E apesar de tudo, “Salt” pode ser para os action movies lovers um deleite nas férias.

O filme estreia sexta feira dia 30 de julho.

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