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CRÍTICA: 127 HORAS

18 fev

Nesta semana, estreia mais um candidato ao Oscar de Melhor Filme. E como alguns de seus oponentes (A Rede Social e O Discurso do Rei), 127 Horas também é baseado em uma história real. Nela o alpinista Aron (James Franco), ao tentar se intrometer em um interior de uma montanha, prende seu braço em uma pedra, permanecendo 5 dias (ou 127 horas se preferir) no buraco, fincado na pedra, sem comida nem comunicação.

Nos minutos iniciais, os espectadores têm dados que comprovam que Aron é um cara que se distanciou da família e é centrado nos seus afazeres (cenas dele não atendendo o telefonema de seus familiares são constantes). Uma daquelas pessoas que planejam viajar, sozinhos e não avisa ninguém. E ter planejado a aventura e sem avisar ninguém, é o fator que o torna esquecido (pois ninguém sabia que ele foi pra lá). Daí, o roteiro joga uma liçãozinha de moral: “Filhos, quando saírem de casa, avisem pra onde estão indo. Senão poderão acabar como ele.” Neste confinamento preso à uma pedra, é que percebe o quanto foi egoísta; em meio à pesadelos e alucinações, tem uma catarse no meio do deserto.

Mas sempre perseverante, mesmo sem comida, com pouca água e com frio; ele tentou se manter calmo e ponderado. Os closes com pontos de vista de dentro, transpõem a sensação de escassez (como Aron bebendo o último gole de água, a câmera estava posicionada de dentro do cantil, mostrando o interior e a boa dele bebendo o líquido). Os cortes são bruscos e junto com a trilha sonora, podem ser remetidos aos videoclipes da cultura MTV dos anos 90.

Para os poucos familiarizados com o diretor Danny Boyle, ele é o responsável pelos aclamados Transpotting e Quem quer ser um Milionário (o vencedor do Oscar em 2008). A estética do diretor, abusa das cores saturadas, assim o fez em Quem Quer ser um Milionário e repete neste longa. A fotografia abusa das cores, imprimindo na tela o calor e a aridez do Grand Canyon (local onde o alpinista fica preso). Já o cenário, em maior parte do longa é o local onde Aron se encontra.

Os enquadramentos se limitam à pequena fenda onde ele se encontra; sendo explorados diversos ângulos e planos. Alternando também com as filmagens realizadas pelo alpinista em sua câmera. Boyle usou parte de seu experimentalismo nesta produção – em cenas como Aron filmando uma declaração aos familiares, com o visor de sua câmera virado para o ponto de vista do espectador, com o foco de James Franco embaçado , e a sua filmadora amadora ocupando o canto da tela-; pode-se perceber a curiosidade do diretor na exploração da câmera. Não só este momento, muitas outras são realizadas com o foco descentralizado de diversos ângulos, que, dentro de um buraco com uma pedra no meio, ele pôde utilizar.

Outra salva é James Franco, um dos jovens atores em ascensão. Iniciou sua carreira em uma comédia romântica, mas depois da série Homem Aranha, conseguiu participar de produções interessantes como Milk – A Voz da Igualdade e James Dean, pequenas participações em filmes (como Ligeiramente Grávidos e O Amor não Tira Férias) e será o apresentador do Oscar no mesmo ano em que concorre no prêmio de Melhor Ator por seu trabalho. Sua atuação, mostra a sua versatilidade e capacidade em mostrar-se desnudo. Mesmo não tentando com muito esforço, Franco é um daqueles que pode-se esquecer durante a narrativa, que se trata de um belo rosto; pois os espectadores só verão o personagem e não o ator. Mas sua empatia possivelmente não será suficiente para tirar o Oscar de Colin Firth.

Estreia 18 de fevereiro
FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: O DISCURSO DO REI

9 fev

O Discurso do Rei (o recordista de indicações ao Oscar 2011- total de 12 indicações-) é dirigido por Tom Hooper e estrelado pelo australiano Geoffrey Rush (Piratas do Caribe) e pelos britânicos Helena Bonham Carter (Alice no país das maravilhas) e Colin Firth (Bridget Jones); todos indicados ao Oscar por suas atuações. O longa revela o backstage da coroação do Rei George VI da Inglaterra.

Resumindo a história: quando o rei George V morre, o primogênito (Guy Pearce) abdica do trono pra se casar com uma divorciada americana; o seu irmão Bertie (Colin Firth) é o sucessor e assume o trono. este – por sua vez – tem problema de gagueira e que pode ser um fator decisivo na sua gestão do país. No início da narrativa, os espectadores acompanham as tentativas de Bertie de curar tal carma que o persegue desde sua infância.

Quando perde as esperanças de encontrar um médico que o livre deste mal, sua esposa descobre Lionel (Geoffrey Rush); um fonoaudiólogo que utiliza métodos pouco ortodoxos e sendo um ator, não médico. Bertie se mostra relutante com o tratamento; já Lionel faz de tudo para entender o porquê da gagueira dele. Com exercícios de trava-línguas e de fortalecimento de diafragma, ele consegue algum resultado; mas é defrontando as inseguranças e medos do Rei é que ele tem a chave para a cura. O passado de repressão o transformou em um homem inseguro, cauteloso, tenso, desconfiado e sem confiança na sua voz. Para ele um rei tem que ter voz e ele não tinha. E é trabalhando na autoconfiança e no estímulo ao poder de enfrentar, que Lionel consegue atingir seu objetivo de ensiná-lo a falar.

Mas não foi apenas esta batalha que ele enfrentou, outra bastante difícil veio após sua coroação: a segunda guerra mundial. Quando o filme parece que vai finalizar, engana os espectadores que de deparam com a ascensão de Hitler, um homem imponente e com discurso bem dito e seguro. O contrário de Bertie e como ele mesmo diz quando assiste ao Führer : “seja o que esteja falando, está dizendo bem”. E este é um dos fatores pelos quais Hitler teve simpatia, ele sabia falar em público e era convicto do que estava falando. A Inglaterra passou por maus bocados, mas teve um rei que foi homem o suficiente pra agüentar o rojão da segunda guerra e enfrentar a Alemanha, provando que tinha sim voz.

Como foi dito anteriormente, o longa é o recordista de indicações; tendo seu elenco indicado às principais categorias. Colin exibe a insegurança do rei, bem como seu orgulho. Mas sua atuação depende de seus companheiros de cena Helena e Geoffrey; que desenvolvem um jogo cênico com ele. A primeira por estar por trás do marido, acompanhando e lhe incentivando, é a figura perseverante que dá suporte a ele; e o segundo por ser a força motriz que traz à tona a verdadeira causa da gagueira. A relação desenvolvida por Colin e Geoffrey no decorrer da trama é o que o torna a aposta do Oscar. O Discurso do Rei é um drama, que se baseia na relação de dois personagens históricos para mostrar uma repressão vestida de gagueira.

ESTREIA 11 DE FEVEREIRO

Ficha técnica

CRÍTICA: BURLESQUE

6 fev

Existe uma lista extensa contendo cantoras que se aventuraram em produções cinematográficas, crendo que terão o mesmo sucesso que têm em suas carreiras fonográficas. Entre elas: Madonna (Evita), Miley Cyrus (Última Música), as Spice Girls (Spiceworld), Norah Jones (Um Beijo Roubado), Whitney Houston (O Guarda Costas), Beyoncé (DreamGirls), JLO (Plano B), Britney Spears (Crossroads), Mariah Carey (Glitter), entre muitas outras. Estas duas últimas possuem algo em comum com Christina Aguilera e o longa ShowBar: as produções se assemelham na tentativa de contar a mesma história (da pobre garota do interior que tem um talento nato para música e se muda para a cidade grande em busca do sonho de se tornar uma estrela. Lá, trabalha em um local fuleiro, mas quando é descoberta, as portas se abrem e surgem os lobos da floresta).

Burlesque segue esta linha e já nos créditos iniciais os espectadores sabem como a história vai terminar. Tudo é previsível no musical, onde as músicas têm entradas forçadas e esquisitas (como Cher ensaiando uma música de incentivo para ela mesma, e que irá entrar no repertório do espetáculo. Por que ela não cantou a música sem dar explicações pra platéia?).

Mas há um fator que o torna mais interessante que os demais longas de ‘cantoras metidas a atrizes’: o burlesco. Sim, como o nome já diz, ele se passa no bar Burlesque Lounge e que vive de apresentações burlescas. Sua estética é toda voltada pro estilo. E é aí que ganha credibilidade: nos figurinos, maquiagens e cenário. Além das apresentações realizadas por Christina Aguilera. O estilo voltou à moda por conta da ex mulher de Marilyn Manson (que tem uma regravação de sua música Beautiful People nos créditos finais, na voz de Aguilera), Dita Von Teese; que é uma dançarina burlesca.

Até a fotografia é influenciada, sendo escura e amarelada. Pontos pra direção de arte e fotografia que exploraram todas as características do burlesco. No bar onde Cher é a dona e Aguilera a garçonete; os garçons e a banda são de igual importância para dar o clima do local. Como todos já sabem, este se trata de um musical, que se não fosse pela presença da voz de Aguilera, as músicas não seriam o atrativo principal. É quando a cantora solta a voz que a coisa acontece, em seus momentos de atriz ela não está no nível de Britney e Mariah, mas também não tem uma performance à altura de uma protagonista. Cher e o restante do elenco – que supostamente são atores -, também não imprimem atuações convincentes nem competentes – se igualando à protagonista (a iniciante Aguilera)-. Uma salva pro ator Eric Dane (de Grey’s Anatomy) que – com humor – interpreta um empresário galanteador com cantadas prontas.

As músicas só empolgam quando a voz de Christina se faz presente, e quando não faz , a trilha recorre à clássicos pop como Madonna. Fora isto, Burlesque não é o pior filme de uma cantora ou de um musical de ‘menina pobre em busca do sonho de ser artista’. Deve-se créditos à produção e direção de arte.

Estreia 11 de fevereiro

FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: CISNE NEGRO, de DARREN ARONOFSKY

3 fev

A dualidade em uma bailarina é o mote da trama dirigida pelo indicado ao Oscar de Melhor Diretor, Darren Aronofsky (O Lutador). Estrelada pela ganhadora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar de Melhor Atriz, Natalie Portman (V de Vingança); Cisne Negro traça um paralelo entre a bailarina e o personagem que irá performar em O Lago dos Cisnes, a Rainha Cisne. Nina é uma jovem que faz parte de uma Cia de ballet, que está em momento de transição; sua bailarina principal (Winona Ryder) está se aposentando e há uma vaga para interpretar a protagonista em seu novo espetáculo.

Ela é pressionada pelo diretor artístico Thomas (Vicent Cassel) e ameaçada com a chegada de Lily (Mila Kunis). Se defronta consigo, adotando uma postura autodestrutiva e psicótica. Nina sofre um terror psicológico, tendo alucinações e severas automutilações. Todo o pânico sofrido é por conta do controle do diretor – que utiliza artifícios sexuais para conseguir o resultado das bailarinas -. O Cisne Branco ela desenvolve rapidamente (sendo uma jovem dócil e meiga), já o Cisne Negro é o que causa o pesadelo em sua vida (este possui uma personalidade sensual e maliciosa). Thomas propõe a Nina exercícios sexuais, não a fim de se relacionar com ela, mas sim de ter o resultado esperado – o que causa estranheza na moça, já que ele tem fama de seduzir suas bailarinas-.

Ela busca de todas as maneiras agradar e convencer de que é a escolha certa para o papel; mas suas alucinações a desestabilizam. É pela pressão e insegurança que todo seu terror se embasa, na incapacidade de realizar o Cisne Negro. O filme é um daqueles que prende a atenção os espectadores causando momentos de tensão. São colocados em dúvida todos os acontecimentos, pois muitos deles são alucinações da psicótica bailarina. A presença de Lily a incomoda, a tal ponto dela se confundir com um alter ego; já que Lily possui as qualidades que lhe faltam. E para conseguir levar os espectadores às suas torturas mentais,Aronofsky utilizou artifícios técnicos, como suporte do roteiro. A câmera, por exemplo, em sua maior parte enquadra os atores em closes (seja dos pés ou rostos) e na maioria das vezes está na mão do cinegrafista (transpondo as agonias e o olhar de Nina – assim como o olhar do espectador que segue os passos dela). Também foi explorado o recurso sonoro, a trilha impactante deixa os espectadores a morder os lábios pela tensão proporcionada.

Além dos aparatos técnicos, o roteiro é instigante e provocador (coloca as questões das bailarinas contra a parede – sendo uma profissão desgastante e de curto prazo), com direção visionária (os demais filmes de Aronofsky não deixam mentir – Réquiem para um sonho e O Lutador) e atuações primorosas. Fala-se muito em Natalie Portman, este é o momento dela, sendo uma das poucas atrizes que consegue transitar pelo doce e amargo; Natalie imprime em Nina seu lado menina ao mesmo tempo em que é uma mulher desabrochando. Todas as angústias e frigidez da personagem são enfatizadas pelos olhares dela. E pouco se fala de Vicent Cassel (À Deriva), que também exibe uma atuação primorosa, é dele o papel de por a moça contra a parede, usando os mais variados artifícios. Já Winona Ryder (Garota, Interrompida) vive uma bailarina aposentada e também autodestrutiva; é uma pena sua participação e intervenção na história seja pequena.

O filme é um tanto perturbador, um verdadeiro suspense psicológico. E mais uma produção de Aronofsky, que o coloca no lugar que deve estar: indicado a Oscar. Este ano, o favoritismo de A Rede Social e O Discurso do Rei, podem tirar a sua vez, mas o brilhantismo da atuação de Natalie pode finalmente premiar a atriz. Cisne Negro é de Natalie.

ESTREIA 04 DE FEVEREIRO

FICHA TÉCNICA

CRÍTICA: O VENCEDOR

31 jan

Quando os espectadores assistirem ao filme se depararão com duas estranhezas nos créditos inicais, os nomes de Darren Aronofsky (O Lutador) e Mark Wahlberg (Os Infiltrados) na produção. Para os que não sabem, Darren foi cogitado para dirigir O Vencedor (The Fighter)e não aceitou,e agora o longa concorre ao Oscar de Melhor Filme e Diretor junto com Cisne Negro, última produção de Darren. Já o nome de Mark é uma estranheza, pois ele protagoniza o longa, mas é ofuscado pelo talento de Melissa Leo e Christian Bale (premiados por suas atuações no Globo de Ouro e SAG Awards, e fortes candidatos ao Oscar).

O Vencedor narra a história de Dick (Bale) um ex boxeador que tinha uma carreira promissora, mas entrou em decadência por conta do uso de crack; ele treina o irmão mais jovem Mick (Wahlberg) e injeta nele tudo que ele poderia ter sido e não foi. Mas os problemas com drogas dele atrapalham o crescimento do irmão, o que faz o lutador recear em trabalhar com ele. A mãe Alice (Melissa Leo) é a empresária e monopoliza os negócios da família.

Alice e Mick depositam no jovem todas as suas esperanças de vitória. Querendo transformá-lo em algo que Dick não conseguiu ser; que por sua vez é acompanhado por documentaristas da HBO, e que no decorrer da trama os espectadores percebem que este retrata os males do crack e não a vitória de Dick sobre um grande lutador. Já ele fantasia que o programa é pra mostrar sua vida; mas quando é lançado, a verdade sobre sua vida de alienação é escancarada para toda a sua cidade; fazendo-o perceber o mal que fazia pros familiares e como era deprimente sua situação.

A atuação de Bale é o ponto forte do filme, assim como sua companheira de cena Melissa Leo; e ao que tudo indica os Oscars serão deles. Bale tem o poder de se tornar invisível diante do papel; os espectadores vêem Dick e não o Batman ou o Psicopata Americano (personagens famosos de Bale). Além de sua magreza desconfortante, Bale se mostra sem maquiagem, desnudo e incorpora a essência do verdadeiro Dick. Nos créditos finais, há imagens dos verdadeiros vencedores e sem os seus respectivos nomes, mesmo sem a identificação os espectadores sabem quem é Dick e Mick. Isso se deve pela entrega e criação minuciosa do personagem por Bale.

Definitivamente, este é o filme de Bale e não do produtor/protagonista Wahlberg. E parafraseando Rubens Ewald Filho: ‘é um filme que Wahlberg convidou Bale e deixou ele roubar a cena’. E corrigindo, Bale deveria ter sido indicado ao Oscar de Melhor Ator e não Coadjuvante. No final, o vencedor não é o lutador e sim seus familiares que fizeram tudo o que podiam pra ele atingir a glória; que não é exclusiva dele e sim do irmão.

Estreia 04 de fevereiro

Ficha Técnica

CRÍTICA: INVERNO DA ALMA

27 jan

Jennifer Lawrence é a jovem de 20 anos que recebeu uma indicação de Melhor Atriz no Oscar e Globo de Ouro por sua atuação em Inverno da Alma. Pra quem não conhece a moça, ela já atuou em The Burning Plan do mexicano Guillermo Arriaga, fez participações em séries de Tv (como Monk) e estará em X-Men – The First Class. A jovem encabeça o casting e fez por merecer suas indicações aos prêmios. O longa conta a história de Ree (Lawrence) que sai em busca pelo pai, depois que descobre que ele usou a casa que mora com os irmãos (que ela cria) para pagar sua fiança. Nesta busca, ela lida com os diferentes tipos de pessoas. E descobre coisas que mudará sua vida.

Ree lida com seus problemas como adulta mostrando sua maturidade. A trama perpassa a busca dela pelo pai, e quando tem a certeza de que ele está morto; ela procura pelo corpo dele para provar à polícia e manter sua casa. Acima de tudo, ela não quer saber do pai e sim de manter um lar para seus irmãos. Ela quer que eles tenham uma casa e tudo que faz é para eles. A força dela faz as pessoas mudarem suas atitudes e a ajudarem. Neste verão, Inverno da Alma é uma pedida para dois, não tente ver sozinho(a).

Estreia 28 de janeiro.
Ficha Técnica

CRÍTICA: BIUTIFUL

17 jan

Depois de 4 anos sem lançar longas, além de desfazer sua parceria com o roteirista Guillermo Arriaga (21 gramas), o cineasta mexicano Alejandro Gonzalez Iñarritu (Amores Brutos) estreia um dos mais aguardados da temporada: Biutiful. Ao contrário de suas produções anteriores, este não engloba diversos personagens e um acidente que destrói suas vidas, em uma edição fragmentada. Segundo Iñárritu, depois de Babel, ele queria tentar algo menos complexo e focar sua trama na trajetória de um personagem. E é mais ou menos o que ele fez.

O filme conta a história do herói trágico Uxbal (Javier Bardem) pai de um casal de crianças, que se descobre na iminência da morte e tenta construir um lar e fazer um pé de meia para que seus filhos sejam criados dignamente. Mesmo focando em Uxbal, em uma narrativa linear, o longa mostra uma trama interessante em paralelo: o tráfico de chineses. De forma humanizada, ele mostra os dramas e a exploração dos chineses na Espanha, e que não é algo que acontece com exclusividade no país.

Iñarritu criou uma narrativa densa e trágica, mesmo tendo buscado o foco em um personagem em uma edição linear; é iniciado com um diálogo em off e uma cena diversa. Que mais tarde os espectadores a presenciam novamente. As características fortes no filme são: a estética marginal, a trilha, a direção dos atores, o roteiro e os close ups. Os enquadramentos exploram as ações das personagens, imprimindo o drama delas. A trilha é de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta), o diretor musical mexicano já é um colaborador nas produções de Iñárritu. Alejandro é um daqueles que conseguem extrair tudo de seus atores, mesmo de crianças – como já fez em Babel, onde buscou crianças de uma comunidade para interpretarem personagens importantes no longa -. Um dos personagens mais fortes é um menino de 7 anos, que culpa a mãe pelo divórcio e pelos problemas da família.

Bardem também não fica pra trás, o espanhol criou minuciosamente os movimentos do personagem, ficando claro suas intenções mesmo quando ele apenas observa. Sua relação com os filhos é de pai devoto, que faz de tudo para protegê-los. Biutiful é a aposta do México por uma vaga no Oscar, há 10 anos atrás Iñárritu concorria com Amores Brutos; e no Globo de Ouro também. Para quem duvidava se Alejandro iria conseguir realizar um filme sem Arriaga, este longa é a prova do talento e a consolidação de uma importante co produção México-Espanha, que conta com os mais importantes nomes do cinema mexicano: Gustavo Santaolalla, Afonso Cuarón, Guillermo Del Toro e o próprio Alejandro Gonzalez Iñárritu.

Estreia 21 de janeiro

Ficha Técnica

CRÍTICA: O TURISTA

16 jan

Reunir Johnny Depp e Angelina Jolie é – definitivamente – uma ótima estratégia para levar os fãs dos astros ao cinema. O Turista não é uma das melhores estréias desta temporada, mas seus acontecimentos e burburinhos de backstage levantaram a bola do longa tornando-o uma das mais aguardadas. E de quebra recebeu indicações ao Globo de Ouro.

A história é do turista Frank (Depp) que é envolvido num jogo de perseguições através da enigmática Elise (Jolie). O roteiro tem como finalidade enganar os espectadores com personagens dúbios em situações de filmes de espionagem. Da abertura aos créditos finais, os espectadores são envolvidos em uma trama baseada no ‘pega ladrão’, ou jogo de gato e rato e até mesmo Carmen Sandiego. Agentes federais e gangsters estão na busca de Alexander Pearce e parece que Elise é o elo que pode trazer Pearce à tona. Tendo ainda a participação de Rufus Sewell com um personagem enigmático.

Mesmo com uma trama de perseguição e espionagem, cheio de reviravoltas, o filme não decola pelo simples fato de seus protagonistas não imprimirem a química necessária para o casal de enamorados. Jolie e Depp decepcionam com atuações preguiçosas e, por vezes, canastronas. Principalmente Angelina, que tenta se manter bonita na tela o filme inteiro. O roteiro busca o êxito exibindo personagens e situações onde “nada é o que parece” se assemelhando com outro filme de Angelina, Salt. Para os que se lembram deste, O Turista mais parece a continuação dele. E – definitivamente – não é merecedor de Globo de Ouro.

Estreia 21 de janeiro

Ficha Técnica

O MÁGICO

14 jan

A animação de Sylvain Chomet (As bicicletas de Belleville) e com o roteiro original de Jacques Tati, mostra a história de um mágico em decadência. Através de imagens conhecemos os personagens e seus perfis. O filme apresenta poucos diálogos e muitos sons e ações. Mesmo sendo desenho, ele imprime a frustração e sofrimento dos personagens e artistas que transpassam a vida deste mágico.

O longa apresenta uma linha de desenho muito similar ao outro trabalho do diretor: As bicicletas de Belleville, uma das melhores animações. E assim como este, O Mágico se destina ao público adulto ao retratar artistas em decadência, tendo que se sujeitar a apresentações em festas para pessoas que não dão valor ao seu trabalho. Além do Mágico, se encontram os trapezistas, ventríloquos e uma banda de rock que toma o lugar dos artistas convencionais. Não é preciso diálogos para se ter empatia com os personagens. O personagem principal possui o jeito e modos que se assemelham ao personagem de Jacques Tati. Além disso, tendo mais referências ao cineasta, como uma cena em que o mágico entra no cinema e está sendo exibido um filme de Tati. Atenção no coelho gordo e briguento que o mágico utiliza em seus números.

O Mágico está indicado ao Globo de Ouro de Melhor Animação. Fugindo da onda de animações em 3D, ele adota uma estética antiga e que abusa de traços de desenhos convencionais não deixando de perder a qualidade. Podendo ser também uma homenagem ao cineasta Jacques Tati. É mais uma prova que mais vale uma idéia na cabeça.

Estreia 14 de janeiro.

Ficha Técnica

A REDE SOCIAL, de DAVID FINCHER

10 nov

“A Rede Social” de David Fincher (Zodíaco, Seven e Clube da Luta) narra a história da fundação do Facebook. A criação do site de relacionamentos gerou polêmica e muitos processos ‘nas costas’ de seu cofundador Mark Zuckerberg. Surge então, a curiosidade dos espectadores ansiosos pelo filme e usuários da rede: Como surgiu? Na verdade, esta não é a pergunta certa, e sim: por quê?

Os espectadores e internautas têm muitas respostas para esta questão. A primeira motivação de Mark, foi chamar a atenção da ex-namorada. Criar um site, para que todos usem e compartilhem seus perfis é uma boa estratégia.

Depois, suas pequenas motivações:
1ª Fazer parte de um clube;
2ª Manter contato com as pessoas que conhece;
3ª Saber o que estas pessoas estão fazendo;
4ª E quem está interessado(a), tem ou não namorado(a), ou se está interessado(a) em alguém, entre outros.

Estes pretextos são apresentados no longa, o que era para chamar atenção da ex, vira uma febre entre os jovens de Harvard, e depois do mundo inteiro. Mas o objetivo principal de Mark fica nas entrelinhas, que é ser parte de um clube. Isso fica explícito no relacionamento que ele e seu amigo Eduardo Saavera, recém aceito no clube mais requisitado da Universidade de Harvard, desenvolvem depois da integração do segundo na tal irmandade. Fica claro, que pertencer a um clube é importante sim.

A montagem do filme intercala dois dos processos pelos quais Mark se envolveu durante a fundação do site, sendo mostrado simultaneamente com os acontecimentos. Esta opção fragmentada transforma a narrativa mais pulsante, prendendo a atenção dos espectadores aos dados. Os diálogos frenéticos no ritmo dos feeds de notícias do site são difíceis de acompanhar, se os espectadores não forem gênios da informática; mas não deixam de ter suas qualidades construtivas. A insegurança, imaturidade e genialidade de Mark podem ser captadas através do roteiro. No trailler, há um teaser de quem ele é.

A música Creep do Radiohead no trailler do longa – em versão com um coral feminino – diz em um trecho “eu sou um esquisito, o que estou fazendo aqui? eu não pertenço aqui”. É uma das dúvidas que assolam o jovem milionário. Aliás, toda a trilha – criada por Trent Reznor, vocalista do Nine Inch Nails – pulsa junto com o pensamento rápido dos criadores assim como os bites de transferência dos dados da rede. A música de Trent contribui para a atmosfera nerd.

Para os jovens, pertencer a um grupo é importante na sua vida social, e, a criação do Facebook, possibilita a eles integrar um clube (que só entra quem recebe convite), e a Mark ser o cara legal que criou a grande rede social. Além disso, está em constante mudança, se adaptando às necessidades dos jovens, como ter acesso às fotos, compartilhar links e no mural publicar o que está pensando/fazendo/querendo. Se o internauta sai com alguém, mas desconfia que este alguém tenha outro: facebook it!

Ficha Técnica

PS *Aos que estão na curiosidade de saber como foi fundado o Facebook:
O livro “Bilionários por Acaso: a Fundação do Facebook, uma História de Sexo, dinheiro, Genialidade e Traição”de Mezrich.

MEU MALVADO FAVORITO

4 ago

“Meu Malvado Favorito” foi o responsável por tirar a “Saga Crepúsculo: Eclipse” da liderança nas bilheterias dos EUA. Obrigada! O filme conta a história de Gru, um vilão que se depara com um inimigo à sua altura. Arma um plano para voltar à liderança de malvadezas, mas para concretizar precisa da ajuda de três órfãs. Decide adotá-las. O que acontece? Isso vocês descobrirão assistindo ao filme.

Mais uma vez a tecnologia 3D invade a tela do cinema. Ao que me parece, os filmes têm sido projetados especificamente para essa tecnologia. Não tenho nada contra, muito pelo contrário, eu gosto do 3D; mas isso pode forçar o diretor na criação de sequencias de cenas que são melhor visualizadas em 3D.

Deixando a tecnologia de lado, este não é entretenimento exclusivo das crianças, é para seus pais também. Cada vez mais o anti herói ocupa os principais papéis nos filmes. Nesta animação ele é o protagonista, e ainda nos encanta.

Um dos quotes preferidos é do dramaturgo alemão Tankred Dorst,  diz: “Em geral os maus são bem mais interessantes que os bons.”. É o que constatamos com essa animação. O feio é bonito, o malvado é legal, o vilão pode ser super herói e o anti herói  pode protagonizar um filme. “Meu Malvado Favorito” prova que ser bonitinho não está mais na moda.

Estreia dia 06 de agosto.

A ORIGEM, de CHRISTOPHER NOLAN

2 ago

O diretor e roteirista Christopher Nolan é o responsável pelos dois últimos filmes da franquia “Batman”, os melhores do homem morcego.  Além desses, ainda dirigiu “Following” ,“Insônia”, o cultuadíssimo “Amnésia” e “O Grande Truque”.

“A Origem”, como todo bom filme de Nolan, explora o labirinto da mente humana. Dom Cobb – vivido eximiamente por Leonardo Dicaprio –  invade os sonhos alheios e rouba informações. É como o filme inicia, quando recebe uma proposta de Saito (Ken Watanabe) para fazer o trabalho contrário, inserir uma ideia no subconsciente de um terceiro (Cillian Murphy).Escrever a sinopse foi simples, ao contrário do filme. À começar pelo gênero, é difícil classificá-lo somente um. Eu o classificaria como thriller de ação psicológico. Algumas pessoas classificaram-no como drama, mas ele não sustenta o gênero.

A figura do anti herói e a discussão iniciada em “The Dark Knight” é evidenciada com personagens imorais. Marion Cotillard é Mal, o fantasma de Cobb; seu talento torna a personagem crível, exibindo a personalidade auto-destrutiva e desequilibrada da mulher “traída”. O casting é brilhante: Leonardo Dicaprio, Ellen Page, Tom Hardy e  Pete Postlethwait; os já familiarizados com a linguagem do diretor:  Michael Caine, Cillian Murphy e Ken Watanabe; Joseph Gordon Lewitt – que supostamente será o próximo vilão do “Batman”, o Charada – e outros igualmente exímios.

O pensamento é contínuo, segundo Cobb; partindo dessa premissa é possível traçar um paralelo com a  trilha sonora. A música nos transporta às dimensões da mente, estando ausente em raríssimos momentos,  é um dos elementos fundamentais no filme. Criada pelo ganhador do  Oscar Hans Zimmer, nos transporta ao psíquico das personagens. Hans se apossa de  “Non je ne regrette rien”(“eu não me arrependo de nada”) de Edith Piaf, que seria uma “deixa” que eles utilizam para os seus retornos à realidade, quando imersos nos sonhos.

O filme confunde, intriga e pertuba o espectador. É montado como um quebra cabeça, que  ilusiona. Além disso, as sequencias de ação acontecem continuamente e inesperadamente, tratando-se de uma história que invade a mente humana podemos esperar muitas supresas; inclusive tecnológicas, o longa é um espetáculo de efeitos visuais.

Li em muitos blogs a respeito da expectativa do longa ser premiado com o Oscar de Melhor filme, não sei se ele será indicado; mas acredito que nas categorias de melhor roteiro original, edição, trilha sonora,  diretor, direção de arte, efeitos visuais e mixagem de som, ele seja um potencial ganhador. “A Origem” é, por enquanto, a obra prima de Christopher Nolan e o filme do ano.

Estreia dia 06 de agosto.

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